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A Biblioteca da Daniela

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Opinião: Por Treze Razões, de Jay Asher

05.04.18, Daniela S.

Por Treze Razões, de Jay Asher, é um romance YA (Young Adults: Jovens Adultos) contemporâneo que nos apresenta Clay após a notícia do suicídio de uma rapariga que andava a escola dele, Hannah. Um dia, ao chegar a casa, repara numa caixa com cassetes lá dentro. Depois de a abrir e ouvir a primeira cassete, a vida de Clay muda para sempre.

Este livro tinha todo os ingredientes para ser um romance excelente para os mais jovens. Poderia ter tido uma abordagem cuidadosa e frutífera relativamente a assuntos extremamente sensíveis, como o suicídio, o assédio sexual, entre outros. No entanto, a receita foi terrivelmente executada e o produto final foi um desastre.

O pior foi o facto de o suicídio ter sido construído como uma caça ao tesouro, mas esse tesouro era uma vingança doentia. As 13 razões do suicídio de Hannah correspondem a 13 pessoas e algumas delas não fizeram atos grandiosamente maus para alguém cometer suicídio. Ou seja, o suicídio na adolescência, aqui, é tratado como um jogo, uma anedota. É como uma forma de criar um livro que "pica", isto é, que mexa com o leitor. Quanto a mim, não me fez sentir nada para além de raiva e de desilusão.
Um outro aspeto péssimo é o facto de o narrador, Clay, estar sempre a culpar Hannah por se ter suicidado. É um livro horroroso também nesse aspeto, por culpar as vítimas e por acentuar ainda mais a "perfeição" masculina quando, na realidade, praticamente todas as personagens masculinas deste livro são exemplos das consequências da masculinidade tóxica (não, não estou a dizer que ser homem é mau; procurem pela expressão no Google e entenderão), que afeta a nossa sociedade.

Eu pensava que este livro iria ser como uma chamada de atenção. Iria "ensinar", através da ficção, como devemos lidar com uma morte por suicídio. Como devemos lidar com vítimas, com as pessoas afetadas por uma tragédia como esta. Mas este livro é praticamente tudo o que não se deve fazer.

Agora, quanto a aspetos literários, não é muito melhor. Escrita demasiado simples para os assuntos abordados e a construção da narrativa, como já devem ter reparado, é péssima, bem como a construção das personagens. Escrever uma pessoa com imperfeições (ou seja, qualquer ser humano) é muito diferente de escrever personagens sem pés nem cabeça, ou seja, sem profundidade psicológica. São demasiado vazias para os assuntos em questão.

Para quem pensava que Por Treze Razões poderia ser uma ótima forma para um leitor mais novo poder entrar em contacto com estes temas pesados, por favor, procurem outro romance. Este livro é uma ofensa.
O suicídio não é uma brincadeira. O suicídio não é um jogo. O suicídio não é uma forma de vingança. O suicídio não é algo que deva ser discutido da maneira como o autor fez neste livro, como se fosse uma tolice de adolescentes.
Não leiam este livro.

Classificação: 0 estrelas.

Opinião: A Darker Shade of Magic (Shade of Magic #1), de V.E. Schwab

03.04.18, Daniela S.


A Darker Shade of Magic (na edição portuguesa, Uma Magia Mais Escura), de V.E. Schwab, é o primeiro capítulo de uma coleção de Fantasia repleta de viagens a mundos paralelos, magia e emoções fortes. Seguimos as aventuras de Kell, um jovem Antari (alguém capaz de viajar entre mundos paralelos) que se mete em problemas sem querer, e Delilah, uma rapariga destemida que deseja ser uma pirata e viver a vida ao máximo. Quando os dois se conhecem, por acaso, o perigo aumenta nos mundos paralelos e o mistério acentua-se.  Como irão eles salvar não um, mas três mundos diferentes?


Edição portuguesa.


Já vim um bom número de filmes baseados em viagens a mundos paralelos, mas acho que nunca tinha lido um livro com este elemento. E ainda bem que este livro de Schwab foi a minha primeira experiência, pois foi sensacional.
É incrível tanto a forma de transporte, como os mundos em si. De facto, é preciso ter magia nas veias para viajar, mas também é necessário um casaco mágico que se adapte de acordo com os mundos visitados. Quanto aos mundos, existem 3, mas, outrora, eram 4. Todos eles são Londres, mas uma das personagens principais, Kell, distingue-os através das cores: temos a Londres Vermelha (onde ele vive e onde a magia existe de forma amenizada), a Londres Branca (dominada por dois irmãos tiranos poderosos), a Londres Cinzenta (onde vive a outra personagem principal, Delilah, e onde não há magia), e a Londres Negra (que foi destruída devido à magia, que é algo vivo neste mundo criado por Schwab). Como podem ver, este universo mágico foi criado de forma cativante e apela à imaginação do leitor.


LITTLE FISTS  : READ IN 2016 »  A DARKER SHADE OF MAGIC and A...
Fanart. Fonte: Pinterest.


O enredo foi também bem executado. Lá no fundo, é simples, mas faz-nos querer ler mais. Há momentos parados, principalmente na primeira metade do livro. Todavia, isso é normal quando se trata de Fantasia, pois é necessário explicar o mundo em questão. Os momentos com mais ação são estimulantes e cinematográficos. 

Tudo isto é possível graças à escrita de V.E. Schwab. É um estilo claro e sem muitos floreados, ou seja, é o ideal para a Fantasia. Normalmente, os livros de Fantasia apresentam um estilo pesado. Por vezes, há palavras e descrições "pesadas". No entanto, isso não acontece neste livro.

Para mim, a melhor parte deste livro é a construção das personagens. Individualidades fortes, distintas e muito reais. A minha favorita é Delilah, que deseja ser pirata e que adora aventuras. É um autêntico furacão e penso que é capaz de fascinar qualquer um. Kell também é interessante por ser um grande contraste em relação a Delilah. É mais ponderado, mas também gosta de fazer as coisas à sua maneira. As restantes personagens não têm tanto tempo de antena, mas foram fabricadas de maneira a que parecessem autênticas, de qualquer forma.



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Fanart (Delilah). Fonte: Pinterest.



Concluindo, A Darker Shade of Magic é a leitura ideal para quem gostaria de ler mais Fantasia, não deixando de ser fabuloso para quem já está habituado a este tipo de leituras. Tem características originais, personagens incríveis e a escrita é leve em comparação a outras obras que se inserem neste género literário.
É, portanto, um livro que recomendo fortemente!

Classificação: 4.5/5 estrelas.