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A Biblioteca da Daniela

A Biblioteca da Daniela

Clube Literário Requim: Leitura em português de março

19.02.21, Daniela S.

Fevereiro é o mês mais curto do ano. Por isso, pensei que seria melhor indicar hoje o título da leitura em português de março do Clube Requim. Assim, poderão ter mais tempo para adquirir o livro.

 

Corpos Celestes, de Jokha Alharthi, é a leitura em português selecionada para o mês de março. Neste livro, acompanhamos três irmãs que vivem numa aldeia em Omã. Mayya casa-se depois de um desgosto amoroso, enquanto Asma casa-se por obrigação. Khawla rejeita todas as propostas, pois está à espera do seu amado, que emigrou para o Canadá. Ao mesmo tempo, o livro explora o desenvolvimento de Omã e uma sociedade tradicional e esclavagista, não esquecendo a era pós-colonial e o presente complexo. Em 2019, venceu o prémio Man Booker International Prize.

 

 

https://relogiodagua.pt/wp-content/uploads/2020/01/Screen-Shot-2020-01-24-at-3.46.01-PM.png
Formato físico (Relógio d'Água).
Formato físico (Bertrand).
Formato físico (Wook).
Formato físico (Almedina).
RELI.

 

 

Através da legenda da imagem, poderão ter acesso a diferentes livrarias que têm o livro disponível na loja online. A legenda inclui o link da editora e o link do site da RELI. Se quiserem apoiar livrarias que não especifiquei acima, podem consultar a lista da RELI e escolher a livraria independente que gostariam de apoiar.

 

O que acham desta escolha? Não se esqueçam que não é necessário começar a ler os dois livros (podem ler a sinopse da leitura em inglês aqui) no dia 1, até porque podem não conseguir comprar/receber os livros até aos primeiros dias de março.


Até breve!



A Batalha das Capas: Children of Blood and Bone/Filhos de Sangue e Osso, de Tomi Adeyemi

18.02.21, Daniela S.
A Batalha de Capas de hoje é sobre Children of Blood and Bone, de Tomi Adeyemi. É o primeiro livro de uma coleção de Fantasia sobre um mundo inspirado na cultura Yoruba onde a magia já não existe. Zélie lembra-se de quando havia vários grupos com poderes fascinantes diferentes. No entanto, tudo mudou quando um rei implacável decidiu mandar capturar e matar todos os detentores de magia. Ainda assim, algumas pessoas com poder sobreviveram, mas vivem escondidos. Zélie é uma delas e pensa que está na altura de a magia regressar. Ela passará a ajudar uma princesa que não concorda com o que vê, lidando, também, com um príncipe que pode vir a ser tão mau quanto o seu pai. Além disso, novos obstáculos irão aparecer e Zélie terá de lutar contra si própria e perceber que vale mais do que aquilo que pensa. Como irá Zélie lidar com o seu poder? Será que está rodeada de amigos? Será que a magia irá regressar?

Li este livro em 2019 e podem ler a minha opinião sobre o mesmo aqui.

Em primeiro lugar, temos a edição portuguesa, publicada pela Editorial Planeta. Usaram a capa original, ou seja, da editora americana Henry Holt Company. É uma boa capa, pois coloca a protagonista em destaque. Os detalhes como o cabelo e os adornos usados na cabeça chamam a atenção do leitor. O olhar forte da personagem também é cativante. É uma ilustração muito bem feita.



Capa portuguesa/original (editora: Editorial Planeta)


De seguida, apresento-vos a capa da Tatran, uma editora da Eslováquia. É completamente o oposto da capa original. Os detalhes não são suficientemente atraentes. É uma capa pobre. Parece que quiseram seguir o lema de "menos é mais", mas só fez com que a capa ficasse demasiado simples e, por sua vez, fraca. No entanto, é interessante como tentaram manter uma característica da edição original, isto é, a fonte do título. Na minha opinião, é uma capa que se perde facilmente entre muitas.
 


Capa da Eslováquia (editora: Tatran)


Depois, temos uma capa da editora Elex Media Komputindo, da Indonésia. Mais uma vez, estamos perante uma ilustração rica em detalhes. Neste caso, não temos apenas a personagem principal. Aqui, está acompanhada por um animal que está sempre com ela. Infelizmente, não me recordo do nome deste ser, mas é como um aliado da personagem, um animal que está sempre por perto e pronto a ajudá-la. O jogo das cores claras do animal e das cores mais escuras da personagem é muito interessante. Ainda assim, acho que a capa ficaria melhor se não tivesse os pormenores que rodeiam a ilustração principal. Penso que a personagem, o fundo e o animal seriam elementos suficientes nesta capa.



Capa da Indonésia (editora: Elex Media Komputindo)



Por fim, temos a capa da editora Urban Reads, da Sérvia. Gosto das cores e de como fugiu dos fundos pretos. Quanto à ilustração em si, gosto da maneira como a cara da personagem está desenhada, mas os restantes detalhes não são tão bonitos quanto a cara. Também não aprecio a fonte que escolheram para o título.



Capa da Sérvia (editora: Urban Reads).


A capa vencedora é a portuguesa/original. A da Indonésia não fica atrás e até poderia ter vencido esta batalha, mas não gosto dos pormenores à volta da ilustração principal, que deveria ser o suficiente para a capa.


Para vocês, qual é a melhor capa?


Até breve!


Clube Literário Requim: Leitura em inglês de março

15.02.21, Daniela S.

Como já estamos na segunda metade de fevereiro, está na altura de divulgar a leitura em inglês de março do Clube Requim. 


Ao olhar para a minha estante, reparei que tinha este livro na parte dos livros por ler e decidi que poderia ser a próxima leitura em inglês do clube: A Good Girl's Guide to Murder, de Holly Jackson.

 


Bertrand.pt - Good Girl'S Guide To Murder
Ebook.
Capa mole (Book Depository).
Capa mole (Blakcwell's).

 

É um thriller YA sobre Pippa Fitz-Amobi, uma rapariga que vive numa pequena cidade consumida por um crime: a morte de uma rapariga. Toda a gente acredita que o namorado é o culpado, mas Pippa não acredita nessa teoria e decide realizar a sua própria investigação. Aos poucos, Pippa vai descobrindo segredos que alguém da cidade quer manter nas sombras. Se o verdadeiro assassino estiver em liberdade, o que será que ele vai fazer para manter Pippa afastada da verdade?


O que acham desta escolha? Alguns bookstagrammers portugueses já leram o livro e gostaram muito da experiência. Dizem que é uma leitura muito viciante.


Daqui a uns dias, irei dar-vos a conhecer a leitura em português. Até breve!


Recomendações literárias: Dia de São Valentim

14.02.21, Daniela S.

Feliz Dia dos Namorados!

Organizei esta lista para as almas românticas que não sabem o que ler neste mês do amor. Não costumo ler romances românticos, mas espero mudar isso em breve. Posto isto, esta lista tem livros que não são apenas sobre o amor, mas os casais são muito fofos e amorosos.

Em primeiro lugar, temos The Upside of Unrequited, de Becky Albertalli. Este YA tem como protagonista Molly, uma rapariga gorda que já teve muitas paixonetas, mas nunca esteve numa relação, nem passou por experiências amorosas, como beijos. Um dia, conhece Will, um amigo da namorada da irmã. Ele é extrovertido, engraçado e namoradeiro. Mas, mais tarde, no local de trabalho, conhece Reid, um cromo que adora Tolkien. Molly está muito confusa. Como irá ela resolver este dilema?

Já escrevi uma opinião sobre este livro. Cliquem aqui para saberem mais pormenores sobre este livro divertido e cativante.



A seguir, temos a leitura em inglês de fevereiro do Clube Requim, You Should See Me in a Crown, de Leah Johnson. A protagonista, Liz Lighty, vive numa pacata cidade conservadora nos EUA que adora os bailes de finalistas. Ao perder a oportunidade de receber uma bolsa de estudos, Liz decide que a sua única opção para sair da cidade e realizar os seus sonhos é participar no concurso do rei e da rainha do baile da sua escola, pois os vencedores ganham bolsas de estudo. Por ter ansiedade, Liz tem receio em participar, principalmente por causa dos comentários maldosos na rede social da escola e da competição feroz. O que torna as coisas melhores é a aluna nova da escola, Mack, uma rapariga inteligente e engraçada. O problema é que ela também está a participar no concurso. Será que Liz terá problemas ao apaixonar-se pela "inimiga"?

Ainda estou a ler este livro, mas tem sido uma boa e simples leitura. 


Edição portuguesa.


Depois, temos O Coração de Simon Contra o Mundo, também de Becky Albertalli. Este foi o romance YA que fez com que Albertalli passasse a estar sob os holofotes no mundo literário. Simon é gay, mas mais ninguém sabe isso. Ele tem enviado emails engraçados e com uma pitada de flirt a Blue, um rapaz que ele desconhece. Um dia, ao esquecer-se de fechar a sessão no computador da escola, um colega consegue ler as mensagens e ameaça contar os segredos de Simon à escola toda. Como conseguirá Simon lidar com a ameaça e os seus próprios sentimentos?

Podem ler a minha opinião sobre este livro encantador aqui.


Edição original.


A próxima recomendação é a minha leitura favorita de 2020 e a leitura em inglês de janeiro do Clube Requim: I'll Be the One, de Lyla Lee. A protagonista é Skye Shin, uma rapariga coreano-americana bissexual e gorda que quer fazer parte de um grupo de K-Pop e, por isso, decide participar num concurso de K-Pop. Ao longo do concurso, Skye irá enfrentar muitos preconceitos relativamente ao seu corpo, que em nada corresponde aos padrões de beleza da indústria de música coreana, mas Skye não desiste. Nem tudo é mau no concurso, pois é lá que conhece amigas fantásticas e um rapaz incrível, Henry Cho. Conseguirá ela ganhar o concurso, concretizar os seus sonhos e não ceder à pressão dos padrões de beleza tóxicos da sociedade?

É um livro magnífico que, sim, conta com uma relação amorosa adorável e bonita. No entanto, é, principalmente, uma ode ao amor próprio. A leitura perfeita para quem está em confinamento e precisa de algo alegre e esperançoso.


Edição portuguesa.


Por fim, temos a minha leitura favorita de 2019: A Fórmula do Amor, de Helen Hoang. Stella é uma jovem mulher inteligente e bem-sucedida que trabalha numa empresa como criadora de algoritmos que preveem as compras dos consumidores. Está dentro do espetro de autismo e percebe mais de número do que de homens e de relacionamentos. Como ela sente alguma pressão da mãe em conhecer alguém, Stella decide contratar um acompanhante para que ele lhe ensine a ser a namorada perfeita. É assim que ela conhece Michael Phan, um homem charmoso que, para ajudar a sua família, é acompanhante de luxo. Com muito profissionalismo e respeito, Michael aceita ajudar Stella a saber tudo, desde os preliminares até às situações mais íntimas.

À medida que o tempo passa, ambos percebem que a relação que têm pode ser mais do que uma relação profissional. Irá Stella conseguir sair da sua zona de conforto? Será que Michael irá quebrar as suas próprias regras?

É um romance "quente" e, ao mesmo tempo, amoroso e repleto de mensagens atuais e extremamente fundamentais, como a importância do consentimento. Podem ler a minha opinião sobre este livro incrível aqui.





Por agora, é tudo. Até breve!







Edição brasileira.







Wishlist: fevereiro de 2021 (livros em inglês)

10.02.21, Daniela S.

Mais uma vez, os EUA têm lançamentos fantásticos. Fevereiro está cheio de novidades para todos os gostos. 


Em primeiro lugar, apresento-vos The Project, de Courtney Summers. Lo Denham está habituada a estar sozinha. Depois da morte dos pais, a irmã de Lo, Bea, juntou-se ao Unity Project, deixando Lo aos cuidados da tia-avó. Graças ao seu trabalho de caridade extenso e ao alcance comunitário, o Unity Project já ganhou muitos corações e mentes de muitas pessoas na região do Upstate New York, mas Lo sabe que há mais no grupo para além do que é visível. Ela passou os últimos seis anos da sua vida a tentar - e a falhar - provar isso.
Quando um homem aparece na revista onde Lo trabalha a alegar que o Unity Project matou o seu filho, Lo vê a oportunidade perfeita para expor o grupo e reunir-se com Bea de uma vez por todas.
Quando a investigação dela faz com que ela fique no caminho direto do seu líder, Lev Warren, e conforme Lo explora mais o Projeto e as vidas dos seus membros, tudo o que ela sabia sobre a sua irmã, ela mesma, cultos e o mundo à sua volta muda, chegando ao ponto em que ela já não consegue ver o que é real ou verdadeiro. Lo nunca pensou que poderia acreditar em Lev Warren, mas agora ela não sabe se pode dar-se ao luxo de não o fazer.

Foi publicado pela Wednesday Books no dia 2 de fevereiro.


Sinopse original.



A seguir, temos Fat Chance, Charlie Vega, de Crystal Maldonado. Crescer como uma rapariga castanha gorda num subúrbio branco de Connecticut é difícil, mas é mais difícil quando toda a tua vida está em chamas. Charlie Vega é muitas coisas. Inteligente, divertida, artística, ambiciosa, gorda. Às vezes, as pessoas têm um problema com essa última parte, especialmente a mãe dela. Charlie quer ter uma boa relação com o seu corpo, mas é complicado. O facto de a mãe dela deixar muitos batidos de emagrecimento na sua cómoda não ajuda. Toda a gente tem ideias quanto ao aspeto que ela deveria ter: deveria ser mais magra, ter uma pele mais clara, ter uma cara mais fina e ter um cabelo mais esticado. Deveria ser mais pequena, mais branca, mais quieta. Mas há sempre uma pessoa que está ao lado dela: a sua melhor amiga, Amelia. Magra, popular, atlética. Muito fixe. Portanto, quando Charlie começa a tentar ter uma relação com Brian, um colega fofo e o primeiro rapaz simpático a notá-la, tudo é perfeito até ela descobrir uma coisa: ele pergunta primeiro a Amelia se quer sair com ele. Charlie é a segunda escolha dele? Será que ele repara nela sequer? Está na altura de as pessoas repararem nela.

Holiday House publicou este livro no dia 2 de fevereiro.



O próximo livro a mencionar é A Taste for Love, de Jennifer Yen. Para os amigos dela, Liza Yang, finalista do ensino secundário, é quase perfeita. Inteligente, simpática e bonita, Liza tem grandes sonhos e ela não se esconde de um desafio. Mas, para a mãe dela, Liza é tudo menos isso. Comparada à irmã mais velha, Jeannie, Liza é teimosa, rebelde e, pior do que isso, determinada a resistir aos valores tradicionais da senhora Yang, especialmente quando se trata de namoros.
Mãe e filha só concordam com uma coisa: o amor delas pela cozinha. A senhora Yang é dona da famosa Padaria Ying & Yang de Houston. Com a universidade à porta, Liza aceita ajudar na competição júnior anual da padaria para provar à mãe que ela é mais do que as suas tendências rebeldes de uma vez por todas. Todavia, quando Liza chega ao primeiro dia do concurso, ela percebe que há um "mas": todos os participantes são rapazes asiático-americanos escolhidos pela mãe para Liza sair com eles.
A situação casamenteira piora quando Liza, por acaso e de má vontade, se sente atraída por um deles, o estóico, impenetrável e irritantemente atraente James Wong. Ao lutar contra os seus sentimentos por James e pela aprovação da sua mãe, Liza começa a perceber que não há uma receita comprovada e verdadeira para o amor.

Razorbill lançou o livro no dia 2 de fevereiro.



Depois, temos The Gilded Ones, de Namina Forma. Deka tem 16 anos e vive no medo e na antecipação pela cerimónia de sangue que irá determinar se ela será membro da sua aldeia. Como ela já é diferente de todos por causa da sua intuição não natural, ela reza para que tenha sangue vermelho para finalmente sentir que pertence ao grupo.
Mas, no dia da cerimónia, o sangue é dourado, a cor da impureza. Deka sabe que irá enfrentar uma consequência pior do que a morte.
De repente, uma mulher misteriosa aparece com uma escolha: ou ela fica na aldeia e enfrenta o seu destino, ou parte para lutar pelo imperador num exército de raparigas que são como ela. São conhecidas como alaki, pessoas quase imortais com dons raros. São as únicas que podem parar a pior ameaça do imperador.
Embora saiba dos perigos que se avizinham, Deka anseia por aceitação e, por isso, decide deixar a única vida que sempre conheceu. Ao viajar para a capital para treinar para a maior batalha da sua vida, ela irá descobrir que a grande cidade com muralhas esconde muitas surpresas. Nada nem ninguém parece ser o que é, nem mesmo a própria Deka. 

Delacorte publicou este livro no dia 9 de fevereiro.


Sinopse original.



Por fim, apresento-vos A Pho Love Story, de Loan Le. Se Bao Nguyen tivesse de se descrever, ele diria que é uma pedra. Estável e forte, mas não particularmente interessante. As suas notas são medianas e o seu estatuto social é normal. Ele trabalha no restaurante de pho dos pais e, mesmo lá, ele é o quinto empregado favorito dos pais, o que não é ideal.
Se Linh Mai tivesse de se descrever, ela diria que é um foguete. Estável quando apagada, mas cheia de potencial para a alegria e o fogo. Ela adora arte e sonha em ter uma carreira na área. O único problema? Os pais dela dependem muito dela e não querem admitir isso, incluindo o facto de trabalhar praticamente o tempo todo no restaurante de pho da família dela.
Há anos que os Mais e os Nguyens estão em conflito devido aos seus restaurantes de pho vizinhos. Bao e Linh, que se evitaram um ao outro grande parte das suas vidas, suspeitam que o conflito tem como base sentimentos mais profundos do que uma competição amigável.
Mas um encontro casual, apesar dos esforços deles, faz aparecer faíscas, fazendo com que eles pensem na razão pela qual demoraram tanto tempo para se conhecerem. Mas, claro, depois, recordam-se.
Podem Linh e Bao encontrar o amor no meio de famílias rivais e histórias complicadas?


Foi publicado pela Simon Schuster Books for Young Readers no dia 9 de fevereiro.


Por agora, é tudo. O que acham desta lista?

Até breve!


Formigas Literárias: The Nightingale (Kristin Hannah), Samitério dos Animais (Stephen King), Murder on the Orient Express (Agatha Christie)

08.02.21, Daniela S.

Tenho opiniões de leituras de 2019 e, claro, de 2020 em atraso. Como alguns livros já caíram no esquecimento ou não me deixaram maravilhada, decidi que o melhor seria passar a escrever três ou quatro opiniões curtas numa única publicação. Portanto, sempre que virem o título "Formigas Literárias", já sabem que são opiniões não muito aprofundadas.


Vou começar pelo livro de Kristin Hannah, The Nightingale. Este livro de ficção histórica segue os passos de duas irmãs, Vianne e Isabelle, que vivem numa França invadida pelos alemães. Neste romance sobre a Segunda Guerra Mundial, temos as vivências daqueles que ficaram para trás, ou seja, aqueles que não foram lutar, mas ficaram nas suas terras, o que não significa que não tivessem sofrido muito. Vivianne, depois de ver o marido partir para a guerra, fica sozinha com a filha até aparecer um capitão alemão maléfico. Isabelle é uma jovem rebelde de 18 anos que lutará, à sua maneira, contra os nazis.

Gatilhos/Trigger Warnings presentes no livro: guerra, mortes de entes queridos, abandono, aborto espontâneo, imagens sangrentas, morte, antissemitismo, suicídio, cancro, escravatura, abuso sexual.

É, de facto, um retrato duro e sufocante de uma época horrível. Vemos de tudo um pouco, desde personagens mais frágeis até personagens lutadoras.

A escrita é simples e a autora soube mostrar bem os momentos mais violentos da história, como a violência física e a violência sexual. Também foi capaz de mostrar eficazmente, e sem tornar a história em algo doce, os momentos mais leves e não tão tristes.

Apesar de tudo o que indiquei, estava à espera de algo mais. Percebo a intenção de a atenção estar toda nas irmãs, que são, de facto, as personagens mais complexas e mais desenvolvidas, mas o livro seria mais rico se tivesse mais perspetivas.

4/5 estrelas.




De seguida, temos Samitério de Animais, de Stephen King. Louis Creed é um jovem médico que pensa ter encontrado um bom lugar em Maine. Um lugar onde é feliz com a mulher e os filhos. Além disso, tem uma boa casa e trabalha numa universidade. Um dia, decide explorar os arredores e encontra um cemitério de animais de estimação perto da sua casa. Depois desse cemitério, onde muitos túmulos apresentam caligrafias infantis, Louis encontra um outro cemitério, mas este tem forças malignas. As histórias do vizinho de 80 anos podem, afinal, não ser fruto da imaginação do idoso.

Gatilhos/Trigger warnings presentes no livro: Morte de animal de estimação, doença, morte de criança, luto, violência física.

Percebo o fascínio que as pessoas têm pelo King. Afinal, o que ele faz é obra. Já escreveu muitos livros ao longo da sua vida e gosta muito de explorar a mente humana e os seus aspetos mais negativos e sujos. Ainda assim, eu não consigo gostar muito dele.

De facto, a sua escrita nada floreada é um motivo que leva muita gente a adorar as suas histórias. A exploração da mente humana também é algo que fascina muitos leitores. Contudo, não achei as personagens nada de especial. Gostei do vizinho de 80 anos, o Crandall. Não gostei de como a esposa do protagonista praticamente existe para o prazer sexual de Louis e pouco mais. Vemos vislumbres dos momentos maternais, mas nada de especial. Ela é só alguém que faz parte da vida do protagonista. Louis é uma personagem não muito interessante, se bem que foi bom ver o pai ser o mais sentimental e mostrar o seu luto em relação a grandes perdas da sua família. Afinal, os homens também têm sentimentos e são humanos. Mas não gostei dele na mesma.

Uma outra coisa que me incomoda é o facto de tornar a cultura nativa-americana em algo maléfico e macabro. O cemitério, pelos vistos, tinha forças malignas por causa dos nativos. Esta coisa de tornar a cultura de um povo que não segue os padrões do homem branco em algo mau e que deve ser temido não deveria existir. Faz imensos estragos. O autor não precisava de usar mitos dos nativos para tornar a sua história mais assustadora e estranha. Bastava dizer: "olha, acontecem coisas mesmo muito macabras nesse cemitério, mas ninguém sabe explicar porquê". Pronto.

2.5/5 estrelas.




A última "Formiga Literária" é sobre Murder on the Orient Express, de Agatha Christie. Já todos devem conhecer Poirot, o grande detetive criado pela Rainha do Crime. Neste livro, Poirot está no Expresso Oriente, que para por um bocado devido aos estragos causados pela neve. Entretanto, descobrem que um americano foi assassinado a bordo. Ninguém pode sair do comboio até Poirot conseguir desvendar o mistério. Afinal, como é que pode ser complicado descobrir um culpado num grupo tão pequeno de viajantes, principalmente quando estão todos fechados num comboio?

Gatilhos/Trigger warnings presentes no livro: morte/assassinato (infelizmente, não consigo lembrar-me de outros gatilhos).

É a segunda vez que leio um livro de Agatha Christie. O primeiro que li foi And Then There Were None. Gostei imenso dessa história. Muito envolvente até ao fim. Não posso dizer o mesmo quanto a esta aventura de Poirot. Primeiro, não gostei nada de conhecer Poirot. Demasiado altivo para mim. Posso dizer que os motivos do crime foram muito bem explorados e, de facto, fazem o leitor sentir como se alguém estivesse a apertar o seu coração. De resto, não achei nada de especial. O livro que mencionei anteriormente foi muito mais empolgante. Este soube a pouco. De qualquer forma, a escrita de Christie é ideal para histórias de crimes e ela tem muito talento no que toca a fazer o leitor sentir todo o tipo de emoções, principalmente nos momentos em que os culpados e as suas razões para cometerem um determinado crime são revelados.

2.5/5 estrelas.







Até breve!