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Formigas Literárias: Strange the Dreamer, de Laini Taylor; The Poet X, de Elizabeth Acevedo; E se formos nós?, de Becky Albertalli e Adam Silvera

Como tenho opiniões acumuladas desde 2020, optei por voltar a escrever Formigas Literárias, ou seja, opiniões mais pequenas e realizadas em grupos. 

 

Em primeiro lugar, vou falar sobre Strange the Dreamer, de Laini Taylor. Neste primeiro livro de uma duologia de Fantasia YA, o sonho escolhe o sonhador.

Desde os seus cinco anos, Lazlo Strange está obcecado com a mítica cidade perdida de Weep, mas seria necessário uma pessoa mais corajosa do que ele para ir procurá-la. Depois, uma grande oportunidade surge na figura de um herói chamado Godslayer e num bando de guerreiros lendários. Ele deve pegar na oportunidade ou perder o seu sonho para sempre.

O que aconteceu para fazer desaparecer Weep? O que Godslayer matou e que era visto como deus? E qual é o problema misterioso que ele deve agora procurar resolver?

As respostas estão em Weep, bem como muitos mais mistérios, incluindo uma deusa de pele azul que visita Lazlo nos seus sonhos.

 

Infelizmente, não consegui ver neste o encanto que senti num outro livro desta autora que já li, A Quimera de Praga. A escrita é muito poética e bonita, mas é precisamente isso que acaba por estragar um pouco este livro. Parece que a autora só quis tornar o texto belo e não se esforçou tanto no enredo e na criação das personagens. Normalmente, gosto de escritas mais elaboradas e com pinceladas poéticas, mas isso foi um exagero aqui. Chega ao ponto em que é praticamente impossível lembrar-me da história. É verdade que foi lida em janeiro de 2020, mas não me lembro de nada. Mesmo nada. É um livro que não vai para além da escrita forçadamente bonitinha. Foi mesmo uma desilusão, pois A Quimera de Praga, para mim, tinha o melhor dos dois mundos: escrita fascinante e enredo intenso e inquietante. Também não gostei tanto da continuação d'A Quimera de Praga. Portanto, o melhor será desistir desta autora, o que me entristece um pouco.

Classificação: 2.5/5 estrelas.

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O próximo livro é uma narrativa em verso contemporânea YA e foi escrita por Elizabeth Acevedo. Em The Poet X, Xiomara sempre guardou as suas palavras dentro de si. Quando tem de ser firme no seu bairro em Harlem, os seus punhos e a sua ferocidade é que falam por ela.

Mas X tem segredos: os seus sentimentos por um rapaz da sua aula de biologia e um caderno cheio de poemas que ela mantém debaixo da cama. E um clube de poesia slam que irá colocar esses segredos sob os holofotes.

Porque, apesar de o mundo não querer ouvi-la, Xiomara recusa ficar em silêncio.

 

É um lindo livro sobre racismo, feminismo, fé e a busca pela própria voz e perceber como usá-la. Através de um formato simples e cativante, Acevedo explora imensos temas e situações que são de extrema importância e que devem ser falados, principalmente perante um público mais jovem. É uma história brilhante e a sua protagonista é tão encantadora quer na sua sensibilidade, quer na sua força. Mais do que nunca, os livros YA são grandes fontes de entretenimento, de educação e de arte e The Poet X é um desses livros. Deixa-nos a querer saber mais da protagonista e da forma como vê o mundo, faz-nos aprender mais sobre os outros e nós mesmos e é de uma delícia literária única. Impactante e magnífico. Não me admira que tenha recebido tantos prémios.

Classificação: 5/5 estrelas.

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E se formos nós, da dupla Becky Albertalli e Adam Silvera, marca o fim da publicação de hoje. É um romance contemporâneo YA sobre o amor, a amizade, a família e a adolescência. "Não sei se somos uma história de amor ou se o nosso amor é uma história.

Arthur só vai ficar em Nova Iorque durante o verão, mas ele acredita que isso não é impedimento para conhecer o grande amor da sua vida. Tal como entoam os musicais da Broadway de que Arthur tanto gosta, o universo pode fazer surgir uma paixão a qualquer momento, quando menos se espera…

Ben não acredita no amor. Ele só quer distância das conspirações do universo e dos seus planos secretos. Porque se o universo fosse realmente seu aliado, ele ainda estaria numa relação e não no posto dos correios para devolver todos os pertences do seu ex-namorado.

Um dia, Arthur e Ben cruzam-se. Um encontro aparentemente banal dá início a uma história de amor cheia de emoções fortes, percalços, contrariedades e desafios. Mas, afinal, o que terá o universo reservado para estas duas almas apaixonadas? Talvez nada. Talvez Tudo!"

 

Já conhecia Becky Albertalli e gostei dos dois livros dela que já li (O Coração de Simon Contra o Mundo e Os Altos e Baixos do Meu Coração). Ainda não conhecia o trabalho de Adam Silvera e espero ler os seus trabalhos a solo um dia. Apesar disso, não posso dizer que adorei este livro. Foi uma leitura agradável, mas acho que criei expetativas elevadas e não foi tão surpreendente e maravilhoso quanto estava à espera. Gostei mais de Arthur do que de Ben, talvez porque Arthur é o coração mole e inocente, enquanto Ben protege-se mais no que toca a sentimentos, por exemplo. A escrita é simples e penso que a dinâmica dos autores é boa. Do que já ouvi sobre Silvera, não me admira que Albertalli consiga trabalhar bem com ele e que tenham conseguido criar de forma tão natural esta história. Ainda assim, faltou qualquer coisa. As personagens principais poderiam ter sido mais únicas, por exemplo, e as secundárias poderiam ter tido mais vida, digamos assim. E concordo com as pessoas que dizem que as constantes referências de cultura pop foram exageradas. De qualquer forma, é um livro que pode ser dado a um adolescente relutante quanto à literatura.

Classificação: 3/5 estrelas.

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Por agora, é tudo. Já leram estes livros? Se sim, gostaram deles?