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Formigas Literárias: The Nightingale (Kristin Hannah), Samitério dos Animais (Stephen King), Murder on the Orient Express (Agatha Christie)

Tenho opiniões de leituras de 2019 e, claro, de 2020 em atraso. Como alguns livros já caíram no esquecimento ou não me deixaram maravilhada, decidi que o melhor seria passar a escrever três ou quatro opiniões curtas numa única publicação. Portanto, sempre que virem o título "Formigas Literárias", já sabem que são opiniões não muito aprofundadas.


Vou começar pelo livro de Kristin Hannah, The Nightingale. Este livro de ficção histórica segue os passos de duas irmãs, Vianne e Isabelle, que vivem numa França invadida pelos alemães. Neste romance sobre a Segunda Guerra Mundial, temos as vivências daqueles que ficaram para trás, ou seja, aqueles que não foram lutar, mas ficaram nas suas terras, o que não significa que não tivessem sofrido muito. Vivianne, depois de ver o marido partir para a guerra, fica sozinha com a filha até aparecer um capitão alemão maléfico. Isabelle é uma jovem rebelde de 18 anos que lutará, à sua maneira, contra os nazis.

Gatilhos/Trigger Warnings presentes no livro: guerra, mortes de entes queridos, abandono, aborto espontâneo, imagens sangrentas, morte, antissemitismo, suicídio, cancro, escravatura, abuso sexual.

É, de facto, um retrato duro e sufocante de uma época horrível. Vemos de tudo um pouco, desde personagens mais frágeis até personagens lutadoras.

A escrita é simples e a autora soube mostrar bem os momentos mais violentos da história, como a violência física e a violência sexual. Também foi capaz de mostrar eficazmente, e sem tornar a história em algo doce, os momentos mais leves e não tão tristes.

Apesar de tudo o que indiquei, estava à espera de algo mais. Percebo a intenção de a atenção estar toda nas irmãs, que são, de facto, as personagens mais complexas e mais desenvolvidas, mas o livro seria mais rico se tivesse mais perspetivas.

4/5 estrelas.




De seguida, temos Samitério de Animais, de Stephen King. Louis Creed é um jovem médico que pensa ter encontrado um bom lugar em Maine. Um lugar onde é feliz com a mulher e os filhos. Além disso, tem uma boa casa e trabalha numa universidade. Um dia, decide explorar os arredores e encontra um cemitério de animais de estimação perto da sua casa. Depois desse cemitério, onde muitos túmulos apresentam caligrafias infantis, Louis encontra um outro cemitério, mas este tem forças malignas. As histórias do vizinho de 80 anos podem, afinal, não ser fruto da imaginação do idoso.

Gatilhos/Trigger warnings presentes no livro: Morte de animal de estimação, doença, morte de criança, luto, violência física.

Percebo o fascínio que as pessoas têm pelo King. Afinal, o que ele faz é obra. Já escreveu muitos livros ao longo da sua vida e gosta muito de explorar a mente humana e os seus aspetos mais negativos e sujos. Ainda assim, eu não consigo gostar muito dele.

De facto, a sua escrita nada floreada é um motivo que leva muita gente a adorar as suas histórias. A exploração da mente humana também é algo que fascina muitos leitores. Contudo, não achei as personagens nada de especial. Gostei do vizinho de 80 anos, o Crandall. Não gostei de como a esposa do protagonista praticamente existe para o prazer sexual de Louis e pouco mais. Vemos vislumbres dos momentos maternais, mas nada de especial. Ela é só alguém que faz parte da vida do protagonista. Louis é uma personagem não muito interessante, se bem que foi bom ver o pai ser o mais sentimental e mostrar o seu luto em relação a grandes perdas da sua família. Afinal, os homens também têm sentimentos e são humanos. Mas não gostei dele na mesma.

Uma outra coisa que me incomoda é o facto de tornar a cultura nativa-americana em algo maléfico e macabro. O cemitério, pelos vistos, tinha forças malignas por causa dos nativos. Esta coisa de tornar a cultura de um povo que não segue os padrões do homem branco em algo mau e que deve ser temido não deveria existir. Faz imensos estragos. O autor não precisava de usar mitos dos nativos para tornar a sua história mais assustadora e estranha. Bastava dizer: "olha, acontecem coisas mesmo muito macabras nesse cemitério, mas ninguém sabe explicar porquê". Pronto.

2.5/5 estrelas.




A última "Formiga Literária" é sobre Murder on the Orient Express, de Agatha Christie. Já todos devem conhecer Poirot, o grande detetive criado pela Rainha do Crime. Neste livro, Poirot está no Expresso Oriente, que para por um bocado devido aos estragos causados pela neve. Entretanto, descobrem que um americano foi assassinado a bordo. Ninguém pode sair do comboio até Poirot conseguir desvendar o mistério. Afinal, como é que pode ser complicado descobrir um culpado num grupo tão pequeno de viajantes, principalmente quando estão todos fechados num comboio?

Gatilhos/Trigger warnings presentes no livro: morte/assassinato (infelizmente, não consigo lembrar-me de outros gatilhos).

É a segunda vez que leio um livro de Agatha Christie. O primeiro que li foi And Then There Were None. Gostei imenso dessa história. Muito envolvente até ao fim. Não posso dizer o mesmo quanto a esta aventura de Poirot. Primeiro, não gostei nada de conhecer Poirot. Demasiado altivo para mim. Posso dizer que os motivos do crime foram muito bem explorados e, de facto, fazem o leitor sentir como se alguém estivesse a apertar o seu coração. De resto, não achei nada de especial. O livro que mencionei anteriormente foi muito mais empolgante. Este soube a pouco. De qualquer forma, a escrita de Christie é ideal para histórias de crimes e ela tem muito talento no que toca a fazer o leitor sentir todo o tipo de emoções, principalmente nos momentos em que os culpados e as suas razões para cometerem um determinado crime são revelados.

2.5/5 estrelas.







Até breve!