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Opinião: A Gathering of Shadows (Shades of Magic #2), de V. E. Schwab



P.S.: Este é o segundo volume de uma coleção, ou seja, se ainda não leram o primeiro livro, é melhor não lerem esta opinião. Se ainda não leram a minha opinião sobre o primeiro capítulo desta coleção, basta clicar aqui.


A Gathering of Shadows, de V.E. Schwab, é a continuação de A Darker Shade of Magic. Quatro meses após os eventos do primeiro livro, Kell tenta voltar a ter uma vida relativamente normal depois de ter conhecido Lila, que já não está com ele, e de ter quase perdido para sempre Rhy, que é como um irmão para ele. Agora, a Londres Vermelha/Red London está a preparar os Jogos dos Elementos/Elemental Games, uma competição internacional de magia que serve para entreter e para manter laços entre países vizinhos. Entretanto, um barco pirata acaba de chegar ao país de Kell, bem como uma pessoa que ele conhece. No entanto, no meio das preparações e dos festejos, uma outra Londres está a voltar à vida e, para que uma Londres sobreviva, a outra tem de cair. O que irá Kell fazer? Onde estará Lila? Que novos obstáculos irão surgir e que segredos serão descobertos?


V. E. Schwab é, na minha opinião, uma das novas rainhas da Fantasia. Um mundo com umas quantas Londres diferentes? Magia de elementos? Personagens realistas que nos fazem torcer por elas? Escrita fenomenal? Mais peripécias? Sim, este segundo livro da Schwab tem tudo isso e, claro, gostei do livro. Ainda assim, gostei muito mais do primeiro.


Quanto ao enredo, estamos perante uma história interessante sobre jogos mágicos e uma magia que seduz, mas pode provocar estragos. É um livro que não tem muita ação, a não ser a partir do momento em que os jogos começam. Entretanto, conhecemos novas personagens e as personagens anteriores são mais desenvolvidas. Apesar de adorar quando o autor dá mais atenção à construção das personagens, acho que isso levou à falta de ação e, por sua vez, tornou a leitura um pouco mais lenta e, por vezes, um pouco morosa. É preciso ser um pouco paciente com este livro, pois as aventuras mais fascinantes aparecem mais na segunda metade do livro. Ainda assim, é uma linha narrativa boa. Não estava à espera de ver uma competição mágica, por exemplo. Também gostei muito de ver como há uma magia negra a crescer.


aphprussia: “ Shades of Magic Aesthetics “ “I know where you sleep, Bard.“ She smirked. “Then you know I sleep with knives.” ” Lila Bard is the best thing to happen to me. ” Fun fact: that mask in the upper right hand corner? I own that exact mask....
Fonte.


A escrita continua a ser cativante. Schwab consegue escrever descrições detalhadas que nos colocam imediatamente no mundo que criou. Também é capaz de transmitir mensagens de esperança e de crescimento pessoal através de palavras sensatas que são simultaneamente bonitas. Isto não quer dizer que seja uma escrita exageradamente floreada ou densa. Aliás, não o é e ainda bem. A Fantasia está, muitas vezes, associada a uma escrita muito pesada, talvez por causa de autores como Tolkien e George R. R. Martin. Schwab mostra que a simplicidade pode ser uma boa amiga da literatura fantástica.


Tendo em conta que o enredo deste livro não é tão entusiasmante quanto o do primeiro livro, o ponto forte desta sequela é o desenvolvimento das personagens, bem como o aparecimento de outras. Kell é, cada vez mais, uma personagem muito interessante, pois ele questiona imenso sobre a magia e como, de repente, ele pode tornar-se, enfim,  num vilão. Pensa em como a magia pode ser sedutora, mas que ele deve controlar-se e focar-se no que é mais correto. Ainda assim, tem muitas dúvidas e, claro, imperfeições, mas é por isso que ele é muito interessante. Lila continua a ser a minha personagem preferida. Segundo outras opiniões que eu li, muita gente detestou-a neste livro porque ela é muito confiante de si mesma e acha-se melhor do que toda a gente, fazendo coisas não tão sensatas. É verdade que ela é assim, mas continuo a gostar dela, pois nós, mulheres e raparigas, merecemos ver uma personagem feminina que reconhece o seu talento e a sua força e que consegue ser muito confiante sem se importar com a opinião dos outros. Enfim, também há tantas personagens masculinas assim e elas não são tão odiadas quanto as personagens femininas que mostram um pouco de confiança. Lila quebra esses padrões femininos em que a mulher tem de estar sempre em apuros e, assim, deve ser socorrida por um homem. Lila é um exemplo de como uma mulher pode ser ágil no combate e saber lutar. Ela adora ser pirata, ela quer aprender e melhorar a sua magia, ela adora mostrar o que vale e ela é confiante. É confiante. Ponto.
Também vemos uma outra faceta de Rhy, o "irmão" de Kell. No primeiro livro, era apenas um jovem sedutor que gostava de brincadeiras e de flirt. Nesta sequela, vemos um Rhy mais sério e preocupado, principalmente porque ele agora, de certa forma, tem uma grande ligação com Kell depois de este ter usado uma magia proibida para salvar Rhy. Uma das personagens novas, Allucard, parece ter muito potencial. Também sabe manusear magia, é da realeza, mas prefere a sua vida como pirata. É uma pessoa nobre e simpática.






Concluindo, A Gathering of Shadows é uma sequela bem escrita e com peripécias fenomenais, mas peca um pelo enredo mais parado. Ainda assim, as personagens, para além da escrita, são o que tornam o livro cativante.


Classificação: 4/5 estrelas.


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