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Opinião: Mulher-Maravilha: Dama da Guerra (DC Icons #1), de Leigh Bardugo


Autora: Leigh Bardugo
Título Original: Wonder Woman: Warbringer
Editora: Topseller
Tradução: Rui Azevedo
Revisão: Manuela Laranjeira

ISBN9789898869265
1.ª edição: outubro de 2017
Páginas: 384
Apresentação: Capa mole 



Neste romance de Fantasia para Jovens-Adultos, seguimos os passos da princesa Diana, ou Mulher-Maravilha, uma das grandes heroínas da DC Comics. 
Diana está a meio de um desafio na sua ilha de Amazonas, Themyscira, quando se dá conta de um naufrágio. Embora saiba que nenhum mortal pode pisar a ilha, a princesa resgata uma humana, Alia Keralis, mas acaba por descobrir que Alia não é uma rapariga qualquer, mas sim uma Dama da Guerra, descendente da Helena de Tróia. As Damas da Guerra , sem querer, provocam o caos na Terra e, por isso, há pessoas que tentam matá-las para impedir acontecimentos horríveis.
Ao descobrir que há uma forma de travar essa maldição no Mundo dos Homens, Diana abandona a ilha e irá enfrentar obstáculos incríveis, questionando mesmo as suas próprias capacidades como Amazona.
Portanto, irá Diana conseguir salvar Alia e evitar uma nova guerra mundial, ou o mundo irá sofrer novamente?



Como já indiquei no título, Mulher-Maravilha: Dama da Guerra é o primeiro livro de uma coleção focada nas versões jovens de heróis da editora de banda desenhada DC Comics. Neste primeiro livro, temos a Wonder Woman e a sua ingenuidade em relação ao mundo mortal, governado, muitas vezes, pela ambição e pela mentira. O segundo livro é sobre o Batman. O terceiro e o quarto livros têm a ver com a Catwoman e o Superman, respetivamente.
Para escreverem estes livros, foram convidados autores que já têm alguma experiência em criar histórias para o público Jovem-Adulto. Assim, não poderiam ter escolhido alguém melhor do que Leigh Bardugo para dar uma nova luz a esta personagem emblemática, pois não só Bardugo adora Wonder Woman, como também é muito talentosa e muito acarinhada pelos seus jovens leitores.


Por falar em talento, Bardugo prova, mais uma vez, que é muito habilidosa a escrever de forma a captar a curiosidade do leitor. Contudo, acaba por não nos dar muitas informações quanto ao universo criado pela DC Comics relativamente às Amazonas e Themyscira. É claro que estão no livro, mas não em número suficiente. Outras Amazonas, embora presentes, não têm muito tempo de antena. Não teria sido interessante se uma delas tivesse interferido nos planos de Diana? E se tivesse havido mais seres mitológicos na narrativa? Mais uma vez, estão presentes, mas não por muito tempo. Aliás, quando Diana e os novos amigos dela entram em confronto com esses outros seres, essas cenas não parecem ser muito bem executadas devido à rapidez. Diana pode ter origens divinas, força sobre-humana e conhecimentos quanto aos monstros, mas não tem experiência. Portanto, penso que essas cenas deveriam ter sido elaborados de outra forma.
De qualquer forma, como estrutura com princípio, meio e fim, o enredo está muito bem organizado. Não tem muitas surpresas e há a sensação de ser uma leitura lenta, mas continua a ser uma boa leitura. Quando há momentos com mais ação, nota-se o cuidado em criar as lutas e os contratempos. Os melhores momentos são quando Diana enfrenta os mortais, não só porque as descrições são muito boas, como também ela aprende muito acerca dos humanos, até porque ela é vítima de traições e do orgulho humano. Essa aprendizagem faz o leitor refletir imenso acerca da natureza humana, isto é, o leitor aprende alguma coisa com Diana.



DC Aesthetics: Wonder Woman
Imagem retirada do Pinterest.

Leigh Bardugo também tem sido aplaudida pela inclusão e pela diversidade presentes nos seus livros. Neste caso, temos Diana, uma jovem esbelta e que não é gozada por ser alta e ser relativamente musculada. Na realidade, ela é admirada pela sua força e pela sua destreza, bem como pela sua inteligência e pela sua rapidez em atuar em situações de alto risco. Temos, ainda, Alia e Jason Keralis. Irmãos com sangue grego e afro-americano. Além disso, Alia adora ciência e tecnologia e é como um incentivo para as meninas que querem seguir estas áreas que, ainda hoje, são muito dominadas pelos homens. Depois, temos Nim, uma indiana lésbica que adora moda e é a melhor amiga de Alia. Ela não tem medo de mostrar aos outros quem ela é. Por fim, há o Theo Santos, um rapaz de ascendência brasileira engraçado e que não se deixa ser corrompido pela ambição.
Quanto a outras personagens, apesar da presença breve das Amazonas, Bardugo foi fantástica ao criar um grupo muito diversificado, na medida em que elas vêm de várias partes do mundo. Junta-se, ainda, o destaque às deusas gregas. 
Deste modo, este livro tem muito girl power e mensagens maravilhosas relacionadas com temas muito atuais, como a sexualidade, o feminismo e mensagens contra o racismo. É um livro que mostra que as personagens com cores de pele diferentes e orientações sexuais diferentes não deveriam servir apenas como adereços. Têm as suas identidades únicas e os seus próprios papéis para desempenharem.


Wonder Woman: warbringer
Imagem retirada do Pinterest.
Em suma, Mulher-Maravilha: Dama da Guerra é um bom começo para esta coleção prometedora. Tem uma escrita simples, mas não foi uma leitura rápida (para mim, pelo menos). Não deixa de ser uma narrativa muito interessante, sendo o seu ponto forte as personagens completamente credíveis e que são uma chamada de atenção para a necessidade de haver histórias diversificadas numa literatura predominantemente masculina, branca e heterossexual. Com alguns toques (que souberam a pouco) de mitologia grega e poucos, mas bons momentos de ação, aconselho a leitura deste livro de Leigh Bardugo.


Classificação: 4/5 estrelas.