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Opinião: Por Treze Razões, de Jay Asher


Por Treze Razões, de Jay Asher, é um romance YA (Young Adults: Jovens Adultos) contemporâneo que nos apresenta Clay após a notícia do suicídio de uma rapariga que andava a escola dele, Hannah. Um dia, ao chegar a casa, repara numa caixa com cassetes lá dentro. Depois de a abrir e ouvir a primeira cassete, a vida de Clay muda para sempre.

Este livro tinha todo os ingredientes para ser um romance excelente para os mais jovens. Poderia ter tido uma abordagem cuidadosa e frutífera relativamente a assuntos extremamente sensíveis, como o suicídio, o assédio sexual, entre outros. No entanto, a receita foi terrivelmente executada e o produto final foi um desastre.

O pior foi o facto de o suicídio ter sido construído como uma caça ao tesouro, mas esse tesouro era uma vingança doentia. As 13 razões do suicídio de Hannah correspondem a 13 pessoas e algumas delas não fizeram atos grandiosamente maus para alguém cometer suicídio. Ou seja, o suicídio na adolescência, aqui, é tratado como um jogo, uma anedota. É como uma forma de criar um livro que "pica", isto é, que mexa com o leitor. Quanto a mim, não me fez sentir nada para além de raiva e de desilusão.
Um outro aspeto péssimo é o facto de o narrador, Clay, estar sempre a culpar Hannah por se ter suicidado. É um livro horroroso também nesse aspeto, por culpar as vítimas e por acentuar ainda mais a "perfeição" masculina quando, na realidade, praticamente todas as personagens masculinas deste livro são exemplos das consequências da masculinidade tóxica (não, não estou a dizer que ser homem é mau; procurem pela expressão no Google e entenderão), que afeta a nossa sociedade.

Eu pensava que este livro iria ser como uma chamada de atenção. Iria "ensinar", através da ficção, como devemos lidar com uma morte por suicídio. Como devemos lidar com vítimas, com as pessoas afetadas por uma tragédia como esta. Mas este livro é praticamente tudo o que não se deve fazer.

Agora, quanto a aspetos literários, não é muito melhor. Escrita demasiado simples para os assuntos abordados e a construção da narrativa, como já devem ter reparado, é péssima, bem como a construção das personagens. Escrever uma pessoa com imperfeições (ou seja, qualquer ser humano) é muito diferente de escrever personagens sem pés nem cabeça, ou seja, sem profundidade psicológica. São demasiado vazias para os assuntos em questão.

Para quem pensava que Por Treze Razões poderia ser uma ótima forma para um leitor mais novo poder entrar em contacto com estes temas pesados, por favor, procurem outro romance. Este livro é uma ofensa.
O suicídio não é uma brincadeira. O suicídio não é um jogo. O suicídio não é uma forma de vingança. O suicídio não é algo que deva ser discutido da maneira como o autor fez neste livro, como se fosse uma tolice de adolescentes.
Não leiam este livro.

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