Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Opinião: Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo, de Chimamanda Ngozi Adichie




Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo, de Chimamanda Ngozi Adichie, é um pequeno manifesto feminista que a autora nigeriana escreveu quando uma amiga lhe perguntou como deveria educar a sua filha em relação ao feminismo. Assim, Adichie escreveu 15 sugestões que exploram temas como a parentalidade, o casamento, a sexualidade, a cultura nigeriana, entre outros. Será que é uma leitura enriquecedora?


Com uma escrita clara e simples, Adichie explica como devemos falar sobre o feminismo com as crianças e educá-las segundo este movimento. Uma das principais lições que devemos transmitir às nossas crianças é a estupidez dos papéis de género. Por exemplo, como é que a sociedade tem o atrevimento de pôr na cabeça de uma rapariga que ela, para se sentir concretizada, deve casar, ter filhos e dedicar-se completamente à família? Não ensinamos isso aos rapazes. Aliás, os rapazes crescem a pensar que essas coisas são um luxo. Tão bom ter uma mulher que fica em casa para limpar o edifício e tratar da comida, não é? E há muitos outros ensinamentos retrógrados que Adichie questiona, explora e desconstrói. Depois, ela propõe como devemos fazer melhor do que interiorizar essas lições negativas e nocivas criadas pela sociedade patriarcal.

A autora analisa também o racismo, o sexismo, o privilégio branco, a sexualidade feminina, etc. Apesar de serem temas que chegam a ser tão complicados e que, por vezes, têm uma carga pesada e negativa, Adichie consegue sempre adicionar palavras positivas e esperançosas. Isto não tem nada a ver com ódio contra homens. Afinal, as mulheres apenas querem ter os mesmos direitos e deveres que eles. Além disso, os homens também sofrem devido ao sistema patriarcal e tóxico em que vivemos. Quantas vezes já não ouvimos que os homens não devem chorar? E aquelas vezes em que vemos alguém a julgar um homem por vestir algo cor-de-rosa? Quantos homens não estarão a sofrer em silêncio por serem vítimas de violência doméstica, mas não dizem nada porque a sociedade não acha isso "normal"? O feminismo não é colocar a mulher no topo e esmagar os homens. O feminismo serve para pôr toda a gente no mesmo patamar mesmo com todas as diferenças a nível de sexo, género, raça, religião, etc.

Resumindo, a escritora acredita que devemos "desaprender" que as mulheres é que têm de estar na cozinha, que os homens é que são os únicos que devem sustentar a família, que as mulheres não precisam da mesma educação que os homens, que os homens devem guardar os seus sentimentos, etc. Está na altura de pararmos de dizer que "os rapazes estão apenas a ser rapazes" ou que "as raparigas crescem mais depressa do que os rapazes". É absurdo a sociedade colocar expetativas e obrigações nas pessoas de acordo com o sexo. Como se atrevem em pagar mais aos homens e menos às mulheres quando realizam o mesmo trabalho e têm as mesmas qualificações? Como se atrevem em prejudicar uma mulher que fica grávida, mas, ao mesmo tempo, defendem a natalidade? Deixem de ser absurdos.

Concluindo, Querida Ijeawele - Como Educar para o Feminismo é um livro pequeno, mas inspirador. Promove a igualdade de direitos e de deveres e a eliminação de ideias que prejudicam toda a gente ao prejudicarem uma parte desse todo. Temos de ser melhores do que isto. Se não sabem como podem mudar as coisas, leiam este livro, por exemplo.


Classificação: 5/5 estrelas.




Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.