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Opinião: Within These Wicked Walls, de Lauren Blackwood

Within These Wicked Walls by Lauren Blackwood
Bertrand;
Wook;
Book Depository.

 

Within These Wicked Walls, de Lauren Blackwood, é um romance de Fantasia inspirado na Etiópia e em Jane Eyre, o clássico de Charlotte Brontë. A sua protagonista, Andromeda, é uma debtera, uma exorcista contratada para limpar casas do Mau Olhado. Quando um jovem herdeiro bonito, Magnus Rochester, contrata-a, ela rapidamente percebe que não será um trabalho qualquer, com manifestações horríveis em cada esquina, e que Magnus está a esconder algo que vai para além dos treinos de Andromeda. A morte é o resultado mais provável se ela ficar, mas deixar Magnus a viver com a sua maldição sozinho não é uma opção. A maldade poderá andar pelos corredores do castelo, bem como um desejo ardente.

Gatilhos/Trigger Warnings do livro (segundo o website da autora): Sangue; "gore"; morte; imagens perturbadoras; horror corporal; abuso físico/emocional de uma figura paternal; aranhas; referências ao suicídio/ideação suicida.

 

Obrigada, Wednesday Books/St.Martin's Press e NetGalley, pelo eARC deste livro para, em troca, providenciar uma opinião honesta. Este livro foi lançado a 19 de outubro e eu deveria ter publicado a minha opinião um pouco antes dessa data, mas não foi possível. No entanto, finalmente, aqui está ela!

 

Tendo em conta o que a sinopse prometia, estava à espera de um romance obscuro, gótico e repleto de perigo e algo semelhante a magia, mas desiludiu-me um pouco devido ao foco extremo na relação amorosa entre Andromeda e Magnus.

O início foi bom. O livro começa logo com ação, mistério e a apresentação do universo de Fantasia criado pela autora. As explicações relativamente ao que debteras fazem e ao Mau Olhado deixaram-me fascinada e curiosa. No entanto, no momento em que é apresentado o interesse amoroso da protagonista, percebi logo que o livro iria afastar-se mais dessas partes interessantes. Infelizmente.

As Manifestações, ou seja, atos malvados e assombrosos provocados pelo Mau Olhado, foram sempre das melhores partes do livro. A escrita da autora brilhava nesses momentos, dando-nos imagens assustadoras, mas incríveis. Estava à espera de mais situações como as Manifestações, mas, sempre que aconteciam, surgiam e desapareciam rapidamente. Pareciam servir apenas para dar uma sensação mágica e gótica ao livro. Estes momentos apareciam para encher a história e não para fazer realmente parte da história. Não sei bem explicar. Só sei que é uma pena a autora ter dado mais atenção a uma relação amorosa estranha e que nasceu de forma rápida e sem grandes bases em detrimento do que a algo tão diferente e interessante como as Manifestações e o trabalho de debteras. Aliás, a apresentação e o desenvolvimento desse mundo de debteras e do Mau Olhado acabou por ficar pelo caminho. A certa altura, fiquei confusa quanto ao modo como as coisas funcionavam. Certas descrições de atos de debteras eram mesmo confusas e fiquei com a sensação de que havia mais por mostrar e desvendar quanto ao modo como surgiram os debteras e como essas pessoas trabalham, mas tudo foi pelo cano abaixo para dar espaço a Magnus, o interesse amoroso, e Jember, o mentor de Andromeda.

 

Imagem

Andromeda, a protagonista. Arte de Arthur Shahverdyan.
Fonte da imagem.

 

O estilo de escrita não me agarrou. Não me pareceu nada de especial, exceto nos momentos mais góticos, isto é, nas Manifestações do Mau Olhado. Aí, era uma escrita atmosférica e maravilhosa. Adorei as passagens sobre as paredes sangrentas que serviam como prisão e morte das vítimas do Mau Olhado. Sem dúvida alguma que é uma escrita suficientemente boa para nos entreter. Contudo, não me aqueceu, nem me arrefeceu.

As personagens foram pouco desenvolvidas, apesar de o elenco ser bastante pequeno. O "flirt" entre Andromeda e Magnus, por vezes, era engraçado, mas o livro ganhava mais se fosse um "flirt" amigável e não algo forçado e pouco encantador. Lá no fundo, a química não era assim tão boa. Mal se conheciam, o que me levou a estranhar as razões de certas ações, como a vontade dela em salvá-lo. Seria mesmo amor? Pena? E a vida dela? Tudo por um jovem rico mimado que acabou de a contratar para serviços extremamente perigosos e que a fazia sentir-se mal consigo mesma?
Não sei se gostei da figura paterna de Andromeda, Jember. Há muito trauma nela provocado por ele e pela sua violência, mas, ao mesmo tempo, ela gostava dele e mostrava isso. Sei que a autora provavelmente queria mostrar que todas as relações são complicadas e têm as suas nuances, mas... o homem era mesmo física e psicologicamente mau com ela. Ela gostava dele porque ele ensinou-a a ser debtera e, até certo ponto, ajudou-a nas fases complicadas da vida dela. Não será essa mensagem um pouco perigosa? "O teu parente pode ser mau e cruel, mas está tudo bem se ele te der umas coisas, for simpático contigo de vez em quando e tiver um passado complicado e triste". Eu até posso ter percebido mal as verdadeiras intenções da autora, mas foi esta a interpretação que criei em relação a estas duas personagens. Claro que, entretanto, foram apresentadas outras facetas de Jember que parecem servir para que o leitor sinta empatia e pena por ele, mas, sinceramente, eu pensava mais no seu lado mau. Acho que a maneira de ser dele e a sua história de vida não podem ser desculpas para a sua maldade. Podem ser explicações e razões, mas nunca deveriam ser desculpas. Embora ele tenha tido uma vida difícil, não consigo ignorar o mal que fez a Andromeda. Digo quase o mesmo quanto a Magnus, o interesse amoroso. Como mencionei anteriormente, não só o amor entre ambos acontece de forma muito rápida e sem bases, mas também é uma relação um pouco problemática. Magnus faz Andromeda sentir-se culpada de coisas das quais ela não tem culpa nenhuma. Ele é manipulador e julga-a imenso por querer manter uma relação paterna com Jember, mas não vê que ele próprio tem problemas para resolver quanto a outras relações que tem na sua vida. Parece que usa o "flirt", a maldição e o seu passado para manter Andromeda presa a ele.
Como veem, não gostei muito das personagens, a não ser de Andromeda e Saba, uma personagem fascinante e carinhosa, embora ela própria fizesse parte da maldição. Não posso dizer mais quanto a esta personagem para não dar spoilers, mas é uma pessoa simpática e altruísta apesar das circunstâncias. Andromeda e Saba são as únicas personagens que realmente são interessantes. As restantes, como Jember e Magnus, são mesquinhas e manipuladoras, havendo outras que, ao serem assim também, foram muito mal desenvolvidas. Não só aparecem pouco, como também mal vemos alguma coisa das suas personalidades, como é o caso do advogado de Magnus e a irmã dele, que ama Magnus e maltrata Andromeda porque a vê como um obstáculo para uma possível relação entre ela e um rapaz pouco interessante. Já nem me lembro dos seus nomes.

 

ImagemMagnus Rochester. Arte de Ciel Pierlot.
Fonte da imagem.

 

Concluindo, a sinopse de Within These Wicked Walls prometia uma história gótica com um romance avassalador, mas não foi o que eu esperava. Teria sido um livro mais interessante se fosse mais sobre o Mau Olhado e as suas Manifestações e não sobre a relação amorosa sem fundamento, pouco genuína e pouco saudável de Andromeda e Magnus. A escrita da autora não é das mais fabulosas, mas entretém e ganha vida e força nos momentos das Manifestações. As personagens têm pouco sumo e não gostei de como é dado a entender que certas relações são boas quando, na realidade, não são. Portanto, não é daqueles livros que irei aconselhar a toda a gente. Ainda assim, vou estar atenta ao que a autora irá publicar a seguir.

 

 

Classificação: 2/5 estrelas.