The Winner's Curse, de Marie Rutkoski, é o primeiro livro de The Winner's Trilogy. Pertencendo à categoria dos Novos-Adultos, este livro de Fantasia tem encantado muitos leitores um pouco por todo o mundo. Irei apresentar os motivos da sua popularidade, a seguir à tradução (feita por mim) da sinopse retirada do Goodreads:
Ganhar o que queres pode custar tudo o que amas...
Filha do general de um vasto império que se aproveita de uma guerra e que escraviza as pessoasdos territórios conquistados, Kestrel, uma jovem de 17 anos, tem duas opções: juntar-se ao exército ou casar. Mas Kestrel tem outras intenções. Um dia, ela espanta-se ao encontrar a alma gémea num escravo jovem que estava a ser leiloado. Os olhos de Arin pareciam desafiar tudo e todos. Seguindo o seu instinto, Kestrel compra-o- com consequências inesperadas. E ela tem que esconder o seu amor por Arin. Mas ele também tem um segredo e Kestrel rapidamente aprende que o preço que ela pagou por um humano é mais alto do que ela alguma vez imaginou. Situado num mundo repleto de imaginação, The Winner's Curse, de Marie Rutkoski, é uma história sobre jogos fatais nos quais ou manténs a cabela ou perdes o teu coração.
Trailer do primeiro livro da trilogia.
O primeiro aspeto que os críticos apontam ao opinarem sobre este livro é a sua capa. Letras posicionadas de uma forma invulgar, uma modelo elegante com um lindíssimo vestido, o detalhe seu da faca que quebra o encanto perfeito da jovem, os leitores ficaram radiantes com o excelente trabalho estético, adequado a um livro de Fantasia que conta com uma rapariga valente como personagem principal.
Imediatamente a seguir, como segundo ponto fulcral, temos a escrita da autora. Muitos bloggers consideram-na precisa e sofisticada, sendo uma escrita excecional em relação à caracterização do mundo criado por Rutkoski. O seu estilo gracioso encontra-se em todas as páginas e ajuda a apresentar e a desenvolver a sua própria história.
Marie Rutkoski estudou Shakespeare na Universidade de Havard e é professora de Literatura Inglesa na Brooklyn College (faculdade da Universidade da Cidade de Nova Iorque). Ensina, ainda, Drama Renascentista, Literatura Infantil e Escrita Criativa.
Em terceiro lugar, os leitores afirmam que as personagens são um ponto forte do livro. Imperfeitas, mas cheias de garra, Por um lado, temos Kestrel, a jovem mimada que acaba por ser muito astuta, persistente e estratégica. Arin é um escravo rebelde que tenta proteger o seu coração erguendo paredes altíssimas e, à primeira vista, é um rapaz frio, mas muda ao conhecer Kestrel. Ao ligarem-se pelo jogo e pela música, a relação deles vai crescendo até se transformar numa relação amorosa proibida e perigosa. E foi o desenvolvimento dessa relação que os leitores tanto adoraram e ficaram fascinados com estas personagens de caráter forte.
Fanart dedicada a Kestrel.
Por fim, temos a história. Carregado de intrigas arrebatadoras e escândalos irresistíveis, o mundo criado por Marie Rutkoski é complexo por conter fatores sociais e políticos que constituem dois lados diferentes da mesma moeda. Por um lado, existe um povo culto e equilibrado, mas que se encontra nas mãos de uma nação negra, emproada e invejosa. Portanto, é uma história que retrata a justiça e conflitos políticos de uma forma maravilhosa e faz o leitor ansiar por mais por arrebatadora.
Concluindo, The Winner's Curse seria um livro excelente para leitores que adoram livros de Fantasia e anseiam por uma história entusiasmante em que a vida é como um jogo, no qual os peões são personagens cativantes e complexas. É um jogo entre o amor e a morte, entre a liberdade e a escravatura. Ao pertencer ao grupo de Jovens-Adultos, penso que qualquer editora portuguesa poderia fazer sucesso com esta trilogia do género fantástico, pois é a história indicada para quem deseja ler sobre amores proibidos, escândalos e jogos sedutores.
Nos EUA, o segundo livro foi publicado este ano. O último será lançado no dia 1 de março de 2016.
Hoje trago-vos uma publicação sobre um livro contemporâneo direcionado para o público jovem-adulto: Simon vs. the Homo Sapiens Agenda, de Becky Albertalli.
Sinopse retirada do site da Goodreads (traduzida por mim):
Simon Spier, um rapaz gay de 16 anos (um segredo escondido por ele), prefere guardar o seu drama para o musical escolar. Mas quando um e-mail vai parar às mãos erradas, o seu segredo está em risco de ir parar aos holofotes. Agora, Simon anda a ser chantageado: se ele não for o braço direito do palhaço da turma, Martin, a sua identidade sexual será desvendada. Pior do que isso, a privacidade de Blue, o pseudónimo do rapaz a quem ele tem enviado e-mails, estará comprometido.
Com algumas confusões a emergirem no interior do grupo de amigos que antes era coeso, e com a correspondência por e-mail com Blue a ficar cada vez mais "ardente" a cada dia, o penúltimo ano de ensino secundário de Simon, de repente, começou a tornar-se complicado. Agora, Simon deve encontrar uma forma de sair da sua zona de conforto antes que ele seja empurrado de lá- sem se afastar dos seus amigos, comprometer a si próprio ou atrapalhar esta oportunidade para ser feliz com o rapaz mais confuso e adorável que ele jamais conheceu.
Uma citação do romance de Becky Albertalli. Tradução: AS pessoas são como casa com quartos vastos e pequenas janelas. E talvez isso seja uma coisa boa, o facto de nunca pararmos de surpreender uns aos outros.
Os livros de Young-Adults têm visto a sua popularidade a aumentar todos os dias. Aliás, os adolescentes não são os únicos a lerem este tipo de livros, até porque há muitos adultos que adoram ler sobre jovens e as suas aventuras e desventuras. E Simon vs. the Homo Sapiens Agenda não é exceção. Escrito por Becky Albertalli, é um romance que fala sobre a homossexualidade a ser encarada durante uma das etapas mais complicadas da vida do ser humano: a adolescência. Para além de encarar o mundo que o rodeia, o jovem também tem que se enfrentar a si próprio e partir à descoberta da sua própria identidade, e é exatamente isso que acontece neste livro.
Fanart baseada no livro de Becky Albertalli.
De acordo com as opiniões que eu li sobre este livro, o que os leitores mais adoraram foi a realidade expressa de forma genuína e cativante. Muitos adoraram Simon e a sua caminhada pela descoberta de si próprio, bem como a sua personalidade distintiva. Além disso, descrevem o livro como sendo divertido e adorável.
Um outro ponto a acrescentar para o sucesso do livro é o facto de estarmos perante personagens jovens e, portanto, há muitas referências que são partilhadas entre a juventude. Por exemplo, Simon é um grande fã dos livros de Harry Potter (só por isso, quero muito ler este livro!), tem uma conta no Tumblr (uma rede social muito usada pelos mais jovens, na qual podem partilhar fotografias, textos, gifs, entre outras coisas) e adora as bolachas Oreo e aprecia textos bem escritos, sendo um grande defensor das regras gramaticais.
Estamos, também, perante um romance sobre o poder da amizade, a família e as aventuras do ensino secundário. É, ainda, um "abrir de olhos" para quem não compreende o que é ser-se homossexual numa sociedade intolerante, sendo esta uma das razões que levou a autora a criar esta história emotiva e autêntica.
A autora Becky Albertalli
Becky Albertalli nasceu no estado de Atlanta, nos EUA. Apesar de ser licenciada em psicologia clínica e de ter trabalho com "crianças, adolescentes e adultos fantásticos", Albertalli, atualmente, não pratica a sua profissão, encontrando-se a escrever livros sobre adolescentes. A escritora sente-se orgulhosa por ter criado Simon que, desde o início do processo criativo, sempre foi destinado a ser gay. A autora sempre quis escrever algo sobre o mundo que a rodeia e defende que aprendeu muito ao longo do processo, encarando de uma forma diferente os problemas raciais e o privilégio da raça branca. Apoia, ainda, grupos como We Need Diverse Books (grupo que defende literatura que retrata temas como a raça, a sexualidade, diferentes etnias, deficiências, entre outros), pois ainda há muitas barreiras sociais que deveriam ser destruídas, a fim de vivermos num mundo mais tolerante.
Becky Albertalli com as autoras Sarah Dessen e Nicola Yoon, que também são conhecidas por escreverem livros contemporâneos. Nicola Yoon também faz parte do grupo We Need Diverse Books.
Concluindo, Simon vs. the Homo Sapiens Agenda seria uma aposta interessante para qualquer editora portuguesa disposta a publicar livros indicados para os mais jovens. Recheado de lições importantes, momentos divertidos e de personagens engraçadas, carismáticas e genuínas, o romance de Becky Albertalli é ideal para qualquer leitor que queira um livro leve e que lhe proporcione bons momentos.
Para mais informações sobre o romance e a autora, basta clicar aqui.
The Wrath and the Dawn (em português, A Ira e o Amanhecer), de Renée Ahdieh, é o primeiro de uma duologia que , tal como o primeiro livro, se intitula de The Wrath and The Dawn. É um livro que se insere na categoria dos Young-Adults (Novos-Adultos), tendo como género a Fantasia. É, além disso, um retelling (é como uma nova versão de uma história já existente, normalmente de contos). A dulogia de Ahdieh tem como base a colectânea de contos árabes, As Mil e Uma Noites. Portanto, primeiro, vou falar um pouco sobre a colectânea que inspirou Renée Ahdieh, que é, agora, uma das autoras mais adoradas pelo público de leitores jovens.
As Mil e Uma Noites narra uma das histórias mais fascinantes de todos os tempos. Esta obra agrega um conjunto de histórias árabes que foram inventadas e transmitidas pela tradição oral. São histórias extremamente conhecidas, a nível mundial, graças a Antoine Galland, que viajou por países árabes e, em simultâneo, reuniu e traduziu vários contos orientais, que foram publicados em 1704, em francês. O livro apresentava o título que atualmente é usado- As Mil e Uma Noites- e continha, ainda, um grupo de versões que nunca foram concluídas. Assim, a versão final da colectânea foi finalizada por um médico sírio, de nacionalidade francesa, Joseph Charles Mardruz, e foi publicada em 1889.
A edição portuguesa d'As Mil e Uma Noites.
Esta colectânea retrata um rei, Schahriar, que foi traído pela sua própria mulher, que teve relações com um escravo. Quando o irmão lhe contou a traição, o rei mandou matar a mulher e o escravo. A partir daí, Schariar pedia, todos os dias, ao conselheiro, o Vizir, que lhe trouxesse uma mulher que, na manhã seguinte, acabaria morta. Tal decisão espalhou o terror por todas as famílias que tinham raparigas jovens.
Contudo, um dia, uma das filhas do conselheiro, Sherazade, informou ao pai que tinha um plano para terminar com a loucura do rei. O conselheiro ficou desesperado e tentou persuadir a sua filha, mas ela não mudou de ideias, uma vez que ela casou com o rei.
Na noite das núpcias, que supostamente seria a noite anterior á sua morte, a jovem pediu ao rei que este lhe concedesse um último desejo: o de ver a irmã Duniazade. Quando a irmã entrou, ela pediu que Sherazade contasse-lhe uma história, que acabou por cativar o rei. Ao amanhecer, a jovem teve que interromper a narrativa e disse ao rei que o que contaria na noite seguinte, seria ainda melhor. Como o rei estava desejoso por saber mais, decidiu que Sherazade podia viver mais um dia, e mais um dia, e outro dia... Durante mil e uma noites, a rapariga contava histórias cada vez mais magníficas, até que, na última noite, o rei decidiu que nunca a mataria, pois estava apaixonado por ela.
Quadro de Paul Destouches. Sherazade a contar uma história ao rei Schahriar.
Feita uma introdução essencial para entender o livro em questão, passemos à sinopse (traduzida por mim) de The Wrath and The Dawn:
Uma sumptuosa e épica história de amor inspirada por As Mil e Uma Noites.
Todos os amanheceres trazem horror a diferentes famílias numa terra governada por um assassino. Khalid, com dezoitos, é o líder de Khorasan e, todas as noites, tem uma nova noiva apenas para que esta seja executada ao amanhecer. Deste modo, é uma surpresa duvidosa quando Shahrzad, de dezasseis anos, escolhe casar com Khalid. Mas ela fá-lo com um plano inteligente para sobreviver e vingar-se do assassino da sua melhor amiga e das outras raparigas. A força de vontade e a inteligência de Shazi fazem com que ela veja a manhã que nenhuma pôde ver até agora. No entanto, ela apaixona-se pelo jovem que matou a sua querida amiga.
Ela descobre que o rei não é quem ele parece ser, nem as mortes das outras raparigas. Shazi está determinada a descobrir o motivo das mortes e a terminar o ciclo de uma vez por todas.
Podem ver, então, que a autora, efetivamente, inspirou-se na colectânea árabe. Aliás, Ahdieh explicou que escolheu esta história por ser uma mulher com descendências diferentes e, por isso, esteve sempre ligada a diferentes mundos. Mas foi ao conhecer a família do seu marido, de origem persa, que a autora viu uma tapeçaria bonita. Ao perguntar ao marido sobre a tapeçaria, a mãe dele contou-lhe que a peça retratava os contos de As Mil e Uma Noites. A partir daí, a autora encarou a narrativa de Sherazade como uma possível história para novos-adultos e, por isso, simplesmente teve várias ideias ao mesmo tempo.
A capa francesa de The Wrath and the Dawn.
Passemos agora aos vários motivos pelo encanto dos leitores após a leitura desta obra.
Um dos pontos fortes para o fascínio pela história é a diversidade. Os leitores ficaram fascinados ao depararem-se com uma cultura completamente diferente. Adoraram, também, a presença de um glossário, no final do livro, que contém explicações acerca do vestuário e as armas, assim como se deve pronunciar certas palavras, principalmente os nomes das personagens.
Outra razão para justificar o sucesso do livro é a escrita de Renée Ahdieh. De acordo com vários leitores, a escrita é magnífica, esplêndida, sensacional e de alta qualidade. De facto, a autora conseguiu construir uma história única, cativante e renovadora, na medida em que, no mundo dos livros de Young-Adultos, Ahdieh destaca-se pela sua originalidade. Aliás, as suas novas ideias, ao estarem interligadas com a premissa d'As Mil e Uma Noites, ficaram muito bem encaixadas, proporcionando um autêntico momento de prazer literário a qualquer pessoa que lê este livro.
A edição de capa dura de The Wrath and the Dawn (foto retirada daqui).
É claro que há muitos outros motivos que fizeram surgir, e aumentar, o número de fãs de Ahdieh. Todavia, o mais importante, para além da cultura árabe presente na história, é a complexidade das personagens. A personagem principal, Shazi, é descrita como sendo destemida, intuitiva, ousada e fascinante. Há, também, Khalid, um jovem rei que os leitores adoraram conhecer, pois apresentava várias camadas que foram desvendadas de uma forma profunda e bela. É, aliás, um jovem que acaba por se apaixonar e tentar esconder os seus segredos para não magoar a sua amada. Os fãs também ficaram encantados com algumas personagens secundárias, como Jalal, que é charmoso e engraçado, Despina, que foi uma grande amiga de Shazi, e Yasmine, que é intrigante.
Fanart de The Wrath and the Dawn.
Em suma, The Wrath and the Dawn, de Renée Ahdieh, DEVERIA ser editado em Portugal. O livro tem uma escrita extraordinária e única, a história é estupenda, excecional, contendo uma cultura que, talvez, seja completamente nova para os portugueses, e as personagens possuem personalidades ricas, recheadas de mistérios e de grandes qualidades, bem como de imperfeições que, ainda assim, seduzem qualquer leitor. Logo, fico admirada por, até agora, nenhuma editora portuguesa tenha mostrado interesse por este livro de Fantasia. É uma obra direcionada para o público jovem-adulto e que, a nível internacional, só tem recebido críticas positivas, assegurando, por sua vez, a publicação do segundo livro, que já tem um título: The Rose and the Dagger (A Rosa e o Punhal).
Quanto a mim, em breve, receberei este livro que, certamente, será lido nas férias de Natal.
A autora de The Wrath and the Dawn, Renée Ahdieh.
Made You Up (em português, algo como Criei-te), de Francesca Zappia, é um romance de 428 páginas que foi editado pela Greenwillow Books. Desde o dia do seu lançamento, 19 de maio de 2015, Made You Up tem conquistado muitos leitores que se encontram espalhados pelo mundo. De seguida, veremos o porquê do seu sucesso.
Em primeiro lugar, aqui está uma sinopse (traduzida por mim) do livro:
Alex luta uma batalha diária para perceber a diferença entre a realidade e a ilusão. Armada com uma forte atitude, a sua câmara (a Magic 8-ball) e a sua única aliada, a irmã mais nova, Alex trava uma guerra contra a esquizofrenia, determinada a ficar sã durante o tempo suficiente para entrar na universidade. Ela sente-se otimista quanto às probabilidades até que as aulas começam e ela conhece Miles. Será que ela o imaginou? Antes de o saber, Alex está a fazer amigos, a ir para festas, a apaixonar-se e a experimentar todas os rituais de passagem habituais para os adolescentes. Mas Alex está habituada a ser louca. Ela não está preparada para ser normal.
Divertido, provocante e comovente, este romance de estreia fará com que os leitores mudem de página para descobrir o que é real e o que foi criado.
A contracapa do livro (edição americana).
Estamos, portanto, perante um livro que se insere na categoria dos livros Young-Adults (Novos-Adultos), que tem vindo a cativar cada vez mais leitores. É, também, um contemporâneo que tem como base um assunto sensível: esquizofrenia. Muitos livros contemporâneos que têm sido ultimamente publicados, retratam doenças psicológicas (principalmente a depressão), mas a autora sempre teve uma certa curiosidade quanto à esquizofrenia, uma vez que os filmes e as séries televisivas "adoram" tratar este assunto de uma forma obscura, encarando a doença como algo que é perigoso. Deste modo, Zappia pensou que seria muito importante escrever um livro onde a doença da personagem não seria encarada como algo "maléfico", até porque nem todos os esquizofrénicos são assassinos, por exemplo. Ou que nem todos estão num manicómio. É claro que, em Made You Up, Francesca Zappia escreveu partes um pouco sinistras, já que a escritora quis retratar o medo que o esquizofrénico sente ao ser diferente dos outros. Todavia, apesar da doença, a personagem principal também lida com outras questões, como a vida escolar e a vida social.
É por tudo isto que Made You Up tem recebido muitas críticas positivas: é diferente, tem um tema interessante e pouco explorado no mundo dos livros para jovens e tem uma personagem principal peculiar.
A autora de Made You Up, Francesca Zappia.
Além disso, muitos leitores ficaram admirados com a idade da autora, já que esquizofrenia é um tema profundo e que tem que ser explorado com cuidado. De facto, foi no seu quinto ano escolar que a autora começou a escrever um rascunho do seu primeiro romance, se bem que o livro, que foi publicado este ano, começou a ser organizado a partir do seu ano de caloira do ensino secundário. Durante o liceu, Zappia reescreveu a história várias vezes, até ao seu primeiro ano de universidade. Ainda assim, já tinha enviado o rascunho a alguns agentes literários quando estava no ensino secundário, até que um agente gostou do romance e ficou fascinado com o facto da escritora ser tão jovem. Mas foi na altura do lançamento que Made You Up acabou por ser bastante divulgado, graças ao interesse de John Green (um dos escritores de livros contemporâneos mais adorados pelo público mais jovem) pelo romance de Zappia.
Good morning and a happy book birthday to fellow Hoosier @ChessieZappia on her first novel, MADE YOU UP, which I'm super excited to read.
Contudo, não foi por isso que os leitores adoraram o livro! Um dos pontos fortes, para além do assunto delicado do livro, foi a personagem principal, Alex. A heroína da história, de acordo com os fãs do livro, é uma rapariga antissocial, mas é atrevida, sarcástica, inteligente e determinada. Tem, então, uma personalidade forte. É, ainda, uma adolescente corajosa que tenta lidar com as suas imperfeições e inseguranças. Apesar da doença que tem, os leitores acabaram por ficarem fascinados por Alex, até porque deram valor à sua personalidade arrebatadora.
Uma outra personagem cativante é Miles, por quem Alex se apaixona. Miles é visto como um génio, mas arrogante. Alguns leitores até dizem que ele consegue ser um idiota! No entanto, no desenrolar da ação, as pessoas acabam por se simpatizarem com o rapaz, pois ele também tem os seus problemas e consegue ser querido e atencioso. Assim, aqui temos um outro ponto forte do livro.
Fanart de Alex e Miles.
Não quero alongar muito mais a minha publicação, mas quem leu o livro também gostou das personagens secundárias, principalmente dos pais de Alex, que são compreensivos em relação à situação da filha. Um outro aspeto positivo do livro é a escrita de Francesca Zappia. Os críticos afirmam que a autora fez um trabalho excecional, conseguindo fazer com que o próprio leitor ficasse confuso: se os momentos vividos por Alex eram reais ou simplesmente ilusões derivados da doença dela. Além disso, o romance está escrito de uma forma simples, sendo capaz de levar o leitor às lágrimas, ou ficar feliz com os momentos mais fofos.
Em suma, de acordo com os pontos anteriormente referidos, seria ótimo ver uma editora portuguesa publicar este livro. Penso que o romance tem todos os elementos necessários para ter sucesso no nosso país:
É um Young-Adult contemporâneo (uma categoria que, cada vez mais, tem vindo a despertar o interesse dos leitores portugueses);
Tem como tema principal a esquizofrenia (como indiquei anteriormente, muitos leitores têm vindo a adquirir muitos livros que falam sobre doenças mentais);
Explora o tema de uma forma impecável, mas simples;
Sem dúvida alguma que o ponto forte do livro é o conjunto de personalidades únicas e complexas presentes no romance.
É o livro ideal para os fãs de Matthew Quick e de John Green.
Então, será que, algum dia, veremos este livro nas prateleiras portuguesas?
P.S- A esquizofrenia é uma doença mental que se manifesta na adolescência ou no início da idade adulta. Tem várias manifestações, como os delírios, alucinações, problemas de concentração, entre outras.
Aqui vai a segunda publicação na rubrica "E se..."! Desta vez, é dedicada a um livro que saiu no passado dia 1 de setembro: Everything, Everything, de Nicola Yoon.
Capa americana de Everything, Everything. O livro de Nicola Yoon chegou às livrarias dos EUA no dia 1 de setembro deste ano.
Nicola Yoon cresceu na Jamaica e em Brooklyn (Long Island, New York, EUA). Atualmente, vive em Los Angeles (California, EUA), com o marido e a sua filha, Everything, Everything é o seu primeiro romance. No seu site oficial, Yoon indica que é uma romântica incurável e está orgulhosa por ser um membro da equipa We Need Diverse Books (tradução: Nós Precisamos de Livros Diversificados).
A autora Nicola Yoon com um grande cartaz promocional do seu primeiro romance.
Everything, Everything é um romance que pertence ao género Young-Adults (Jovens-Adultos). É destinado a um público jovem, mas também pode ser lido por adultos. O livro fala-nos de Madeline Whittier, uma rapariga que é alérgica ao mundo exterior. Devido à sua doença rara, Madeline esteve sempre fechada em casa ao longo dos seus 17 anos de vida e só conhece uma pessoa: a sua mãe, e sua enfermeira, Carla. Ela até tinha uma vida satisfatória, até ter visto um rapaz com olhos da cor do Oceano Atlântico a mudar-se para a casa ao lado. A obra é sobre a emoção e o sofrimento que ocorrem quando quebramos a nossa "concha" para fazer coisas loucas. Coisas, quase letais, que fazemos por amor.
A versão espanhola de Everything, Everything.
O livro causou furor mesmo antes de ser publicado, graças às cópias avançadas para leitura enviadas para os críticos, booktubers e bloggers. Foram poucos os que não ficaram muito surpreendidos com a história. Outros, adoraram-na e aconselham-na a todos os leitores que procuram por algo "novo" no mundo literário dos Young-Adults. Deste modo, dá para perceber o fator principal que contribuiu para o sucesso do livro: o enredo criado pela autora. Pelos vistos, Nicola Yoon criou uma história única: uma personagem com uma doença rara, mas que luta para poder viver; um rapaz que faz todos os possíveis para ficar com a rapariga que ama. Segundo as opiniões que eu li, o relacionamento entre eles, Madeline e Olly, é adorável, realçando a inocência da rapariga e a força de carácter do rapaz.
Capa alemã de Everything, Everything.
Além disso, a personagem principal é afro-americana, sendo ainda de descendência asiática. Estes pormenores também ajudaram o livro a alcançar o seu êxito, pois, atualmente, os leitores "exigem" que os escritores criem personagens diferentes, diversificadas. Como referi anteriormente, Nicola Yoon é membro de We Need Diverse Books, um grupo que defende que, na literatura, deveria haver personagens diversificadas, bem como histórias que relatam casos de diversidade. Por exemplo, defendem a existência de personagens de raças diferentes, uma vez que, atualmente, há muito livros em que as personagens principais são brancas. Também defendem livros que abordam temas como a sexualidade (homossexualidade, transsexualidade, e questões raciais. Assim, a diversidade presente no livro de Nicola Yoon foi um ponto favorável para que a história da autora fosse bem sucedida.
Uma frase do livro: "O maior risco é não cometer um".
Um outro fator que levou à grande divulgação do livro foi a doença retratada na história: Síndrome de Imunodeficiência Combinada Severa. Esta doença é, de facto, real, mas rara. Normalmente, as pessoas não têm conhecimento desta doença, mas basicamente consiste na alergia ao mundo exterior. A maior parte dos leitores não conhecia esta doença e, por isso, ao verem que o livro era sobre uma personagem (fictícia) que a possui, tiveram curiosidade para lerem tal história.
As cópias de leitura avançada para os bloggers e booktubers.
Por fim, os leitores adoraram o livro porque, no seu interior há ilustrações lindíssimas, concebidas pelo marido da autora, David Yoon.
Nicola Yoon com David Yoon, o seu marido. As ilustrações presentes no livro são da autoria do marido da escritora.
Concluindo, qualquer editora portuguesa, com uma boa estratégia de marketing, conseguiria arrecadar grande lucro com a publicação deste livro. Abaixo, deixo uma pequena lista que enfatiza os fatores principais para o sucesso do livro cá em Portugal:
1. No Goodreads, os leitores afirmam que a escrita é muito bonita;
2. O livro é um Young-Adult, um género que vê o seu êxito a aumentar diariamente no nosso país;
3. Aborda uma doença rara e pouco conhecida;
4. A personagem principal é diversificada: afro-americana com descendência asiática;
5. É narrada uma história muito diferente a outros livros que têm adolescentes como personagens principais.
Na minha opinião, o livro parece ser muito bonito! Seria fantástico se alguma editora portuguesa publicasse este romance :D
A autora Nicola Yoon, o marido e a filha do casal. Como podem ver, esta família é muito diversificada ^^
Já divulguei que a Editorial Presença, através do Twitter, comunicou que irá publicar uma coleção de Sarah J. Maas, Throne of Glass. Em português, o título será Trono de Vidro e a capa é semelhante à da edição britânica, tal como podem ver:
Edição portuguesa chegará às terras lusas no dia 16 de setembro. Fotografia retirada do Twitter da Editorial Presença.
Edição britânica.
Também já tinha comentado que Sarah J. Maas é uma escritora muito acarinhada pelos leitores mais jovens, ou seja, adolescente ou jovens quase adultos. Maas escreve livros de Fantasia que se inserem na categoria dos Jovens-Adultos (Young-Adults, na versão original do termo). Os leitores, de acordo com a sua leitura de Throne of Glass, indicam que a autora tem uma escrita fabulosa e cativante, construiu o seu mundo de uma forma maravilhosa, apresentando personagens reais, interessantes e marcantes. Portanto, não é de admirar que, ao começar uma nova coleção, também inserida na Fantasia, tenha recebido fantásticas críticas. Deste modo... E se A Court of Thorns and Roses fosse publicado em Portugal?
A versão de capa dura de A Court of Thorns and Roses, o primeiro livro de uma coleção de Fantasia.
A Court of Thorns and Roses é o primeiro livro de uma coleção de Fantasia promissora. É um reconto (o termo original, retelling), do conto A Bela e o Monstro, mas com algumas mudanças: existem Fadas. Passemos, então, à sinopse (traduzida por mim) do livro:
Quando a caçadora de dezanove anos, Feyre, mata um lobo nos bosques, uma criatura monstruosa aparece a exigir uma retribuição de tal ato. Arrastada para uma terra mágica, mas traiçoeira que ela só conhece graças às lendas, Feyre descobre que o seu raptor não é um animal, mas sim Tamlin, uma das Fadas letais e imortais, que antes controlaram o seu mundo.
Ao morar na sua propriedade, os sentimentos de Feyre por Tamlin passam de hostilidade gelada para uma paixão ardente que queima todas as mentiras e todos os avisos que lhe foram ditos sobre o lindo, mas perigoso mundos dos Fae. Mas uma antiga e malvada sombra cresce pelas terras das fadas e Feyre deve encontrar uma maneira de a parar... ou Tamlin e o seu mundo serão amaldiçoados para sempre.
Fan art (tradução literal: arte de fãs) de A Court of Thorns and Roses.
Através da sinopse, dá para perceber porque é que este livro conquistou tantos leitores: normalmente, adoram contos de fadas e, por conseguinte, reformulação dos mesmo; contém uma relação amorosa intensa; já agora, a capa é MARAVILHOSA; tem mistério e insere-se na Fantasia, tal como a coleção Throne of Glass (é diferente em relação ao Throne of Glass, pois é um New Adult- Novo Adulto); a escrita de Sarah J. Maas continua a cativar e a surpreender os fãs.
Sarah J. Maas a segurar um ARC (Advanced Reading Copy- uma cópia antecipada do livro, normalmente entregue aos críticos, bloggers de livros e booktubers). Esta fotografia foi retirada do Twitter da autora, tendo sido editada por mim (havia uma outra autora na fotografia, mas decidi cortá-la para não haver confusões :p).
Para concluir, penso que qualquer editora portuguesa ficaria a ganhar ao publicar este livro. A Court of Thorns and Roses chegou às prateleiras americanas no dia 5 de maio deste ano e, deste então, tem conquistado muitos leitores. Isto significa que, graças ao poder das redes sociais, os leitores portugueses, pelo menos a camada mais jovem, já ouviram falar nesta nova coleção e devem estar, pois, muito curiosos com a nova história de Sarah J. Maas. Faço uma lista que resume os pontos fortes do livro:
É um retelling de A Bela e o Monstro;
Insere-se na Fantasia e no New Adult;
Apresenta um mundo diferente de Fadas, que vivem em cortes e, portanto, em intrigas, paixões e segredos;
Sarah J. Maas é conhecida por ter uma escrita maravilhosa.
É um livro que, certamente, irá cativar jovens leitores (como também leitores mais velhos), um público que tem vindo a crescer cada vez mais no nosso país.
Quanto a mim, já tenho uma cópia do livro, oferecida pelos tios do Canadá (fico-lhes muito agradecida!). Posto isto, estou muito ansiosa por ler este livro!
A minha cópia (versão americana) de A Court of Thorns and Roses.