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A Biblioteca da Daniela

A Biblioteca da Daniela



Winter é o quarto e último capítulo da luta de Cinder contra a rainha de Luna, Levana. Neste livro, acompanhamos a princesa Winter, a adaptação da Branca de Neve. Winter é enteada da rainha Levana, que não gosta dela, pois o povo de Luna venera e ama imenso a inocente rapariga que, ao contrário dos restantes habitantes de Luna, não usa os seus poderes de manipulação. Por isso, passou a vida a ver coisas que não existem e é gozada pela corte que, ainda assim, a admira. Tendo como único verdadeiro amigo um fiel guarda, Jacin, Winter faz todos os possíveis para que haja justiça no reino da madrasta. Junta-se, então, a Cinder e aos restantes elementos do grupo que pretende libertar não só o planeta Terra, mas também Luna das garras do reinado de horror de Levana. Finalmente em Luna, mas sofrendo ataques planeados pela malvada rainha, como irá Cinder ter sucesso na sua demanda?


Winter foi um desfecho maravilhoso desta coleção de Ficção Científica fantástica. Nota-se o cuidado em ter um final estrondoso e bem planeado, para que não fosse um fim rebuscado e forçado. Com um ritmo um pouco mais lento do que os restantes livros, este último volume mostra melhor que, de facto, há uma guerra a acontecer e que não há tempo para conflitos amorosos, embora o amor esteja sempre presente como uma força que move e inspira as pessoas. Aborda questões sensíveis como a saúde mental e a importância da beleza numa sociedade superficial e obcecada pela ideia de perfeição e de poder. É aqui que as personagens se desenvolvem ainda mais e se tornam cada vez mais reais. A escrita também é mais cuidada e nota-se a maturidade criativa.


Fanart de Winter.


Em relação à linha narrativa, gostei de como a autora equilibrou a sua paixão por Sailor Moon com a tradicional história da Branca de Neve, adicionando a sua capacidade de transformar história já muito conhecidas. É o livro mais "pesado" por retratar mortes, dor, cenas de luta e de tortura, mas não ficam de lado o amor, a amizade e a esperança. Adorei os elementos que nos fazem lembrar a história da Branca de Neve, como a substituição da maçã envenenada por um doce contaminado pelo vírus que tanto assombra a Terra e uma máquina hospitalar a substituir o caixão de vidro. É também inteligente usar as personagens principais dos restantes livros como representantes dos Sete Anões. Portanto, o trabalho de adaptação/transformação foi muito bem executado e este livro foi o melhor nesse aspeto.



Fanart de Winter.



A escrita é mais versátil. À medida que lemos os diferentes pontos de vista das personagens, é notável a capacidade em realçar a personalidade da personagem que é destacada num determinado capítulo. Embora não tenhamos um narrador autodiegético (em primeira pessoa), a autora é suficientemente talentosa em transmitir a essência das personagens nos diferentes capítulos em que se destacam.


Quanto às personagens, vê-se o crescimento relativamente às prioridades atribuídas à formação das mesmas. Por exemplo, nos livros anteriores, notava-se mais a presença do amor entre os pares e, em Winter, temos isso em segundo plano e o leitor fica com a ideia de que, afinal, isto não é um conto de fadas. É também interessante a exploração da temática "bem vs. mal", na medida em que as personagens consideradas boas percebem que, por vezes, é necessário cometer erros e recorrer a atitudes que pertencem ao lado do "mal".





Em suma, Winter é um livro não só espetacular a nível formal, como também quanto às personagens que habitam este universo extremamente interessante e não tão diferente da nossa realidade. Tem muitas lições fundamentais para a sociedade, como a importância da igualdade de direitos, o caráter prejudicial do racismo e a aceitação da diferença como meio caminho andado para uma solução pacífica. Esta coleção, em geral, não é um conto de fadas, mas apresenta um mundo fascinante.




Classificação: 4.5/5 estrelas.






Cress é o terceiro livro da coleção The Lunar Chronicles, de Marissa Meyer. Desta vez, estamos perante uma adaptação de uma outra história conhecida do público geral, a da Rapunzel. Aqui, temos Cress, uma rapariga ingénua e inteligente que passou grande parte da sua vida num satélite a servir, como especialista informática, a rainha Levana. Ao entrar em contacto com Cinder e o grupo de novos amigos dela, Cress compreende que pode remediar os erros que fez sob o comando de Levana e concretizar os seus sonhos. Mas os planos não correm bem quando acaba num deserto com o "capitão" Carswell Thorne, um jovem rebelde e engraçado. Como irá Cinder conseguir desafiar a rainha Levana ao enfrentar tantos obstáculos? Como irá Cress lidar com uma realidade totalmente diferente daquela que conhecia desde criança?





Foi um enorme prazer este livro! Meyer, neste terceiro volume, mostra que as mulheres fortes não têm que ser necessariamente apenas guerreiras. Podem ser tudo o que quiserem. Aqui, temos uma rapariga que nunca tinha saído do seu satélite e, por isso, era muito sonhadora. Nunca teve grande contacto humano, mas isso não a tornar incapaz de sentir compaixão. Apesar de ter traços típicos de uma "donzela em apuros", ela não deixa que o medo e ansiedade vençam e avança com os seus planos. Além disso, a sua "profissão" não é vista como sendo comum para mulheres, pois é uma "hacker" e possui um excelente conhecimento informático. Todas estas inovações foram muito bem conjugadas com a história da Rapunzel. Contudo, neste caso, embora Cress seja salva por um rapaz e tenha estado presa num satélite (o que foi uma estratégia muito inteligente para substituir a tão conhecida torre e adaptá-la a esta coleção de Ficção Científica), ela não é tão fraca como aparenta ser, simplesmente é forte à sua maneira.
Carswell Thorne é uma das personagens masculinas mais engraçadas de sempre. Brincalhão, sedutor, aventureiro, mas com um coração mole. Ele aprende imenso acerca de si próprio e o mesmo acontece com Cress em relação a si mesma. Formam um casal que é capaz de derreter o coração de qualquer leitor. Este casal é um dos meus favoritos agora.
As restantes personagens, como Cinder, Scarlet, Kai e Wolf, também aparecem neste livro e os fios narrativos de cada um conjugam-se perfeitamente com os fios de Cress e de Thorne, sendo que há uma junção muito bem conseguida ao longo da leitura. É essa mesma junção que, na minha opinião, tornou esta coleção conhecida pelo mundo fora.


Fanart de Cress no satélite.



Não posso dizer nada de novo em relação à escrita, nem quanto à forma como o enredo é criado e apresentado. A escrita continua simples e cativante. A construção da história em relação ao conto que tem como base, tal como os livros anteriores, é impecável. Acrescento que, neste caso, foi ainda mais original. A escritora desafiou ainda mais esse processo de adaptação e é a já conhecida profundidade de personalidades que reforça isso mesmo.



Fanart de Cress inspirada no filme Entrelaçados.



Em conclusão, Cress foi, para mim, uma experiência fantástica, que aqueceu o meu coração com personagens encantadoras e uma história sobre o poder e a força que temos, mas que podem estar muito bem escondidos no nosso interior. É, ainda, um livro importante por mostrar uma grande variedade de personalidades, principalmente as das personagens femininas. É mais uma prova de como a Ficção Científica não é apenas para "rapazes", mas sim para todos os que simplesmente apreciam a aplicação da ciência na ficção.




Classificação: 5/5 estrelas.









Neste segundo volume da coleção The Lunar Chronicles, conhecemos Scarlet Benoit, uma jovem de 18 anos que vive numa quinta francesa com a avó. Tinha uma vida normal até a avó desaparecer sem deixar rasto. A polícia encerrou o caso por falta de provas e os conhecidos não querem ajudar, porque pensam que a avó era uma maluca. Apesar de tudo, Scarlet não desiste e, aos poucos, com a ajuda de Wolf, um rapaz misterioso que acaba por conhecer, vai descobrindo segredos e percebendo que a sua vida é, afinal, tudo menos normal.


Neste segundo volume, para além de termos novas personagens, seguimos as desventuras das personagens do livro anterior, até porque, como segundo livro da coleção, estamos perante uma continuação. E que continuação entusiasmante!


Mais uma vez, Marissa Meyer prova que consegue inovar os contos tradicionais. Desta vez, pegou no enredo do conto "Capuchino Vermelho" e adicionou mutação genética e, novamente, personagens com profundidade e personalidades únicas e cativantes.
O que mais gostei foi da reafirmação do poder feminino. A avó de Scarlet trabalhou na aviação e desempenhou um papel importantíssimo, que a colocou em risco de vida. No entanto, mostrou-se firme e nunca prevaleceu perante o inimigo. Scarlet sabe defender-se e não permite que seja intimidada facilmente. Também é bom ver as personagens masculinas aceitarem o poder destas mulheres fortes. Um outro aspeto positivo relativamente ao enredo foi a forma como a autora intercalou duas ações distintas, uma protagonizada por Scarlet e outra protagonizada por Cinder, a personagem principal do primeiro livro. Não o fez de forma confusa e conseguiu estabelecer elos de ligação muito bons e ricos para o enredo em geral.
Contudo, se quiser comparar Scarlet com Cinder, prefiro Cinder, talvez devido à relação amorosa que se procedeu rapidamente neste segundo capítulo da coleção. Penso que é um ponto fraco da autora, o facto de as relações, quer amorosas, quer entre amigos, serem estabelecidas de forma muito repentina e, por isso, as mesmas não parecem ser suficientemente reais. Além disso, Meyer inovou mais no primeiro volume. É verdade que eu disse que, neste segundo volume, ela adicionou aspetos muito interessantes e originais, mas sinto que houve mais trabalho no Cinder.



The lunar chronicles | Tumblr
Fanart.


A escrita continua cativante e a experiência de leitura foi mais leve, embora ainda tivesse tido dificuldades com certos termos, já que o li em inglês. Havia muitos vocábulos relacionados com tecnologia ou materiais que não me são familiares, mas, tal como em Cinder, não me impediram de gostar da história. Como o estilo se mantém, li o livro rapidamente.


Concluindo, Scarlet foi uma agradável surpresa, uma vez que, normalmente, em coleções, o segundo livro peca por vermos uma descida de qualidade quanto ao primeiro livro. No entanto, isso não aconteceu neste caso e ainda bem. A escrita fascina, as personagens, num instante, nos encantam e o enredo continua a ser o ponto forte da autora, com lufadas de ar fresco que nos maravilham.


Classificação: 4/5 estrelas.









The Lunar Chronicles (na edição portuguesa, Crónicas Lunares) é uma coleção de quatro livros de Ficção Científica que reconta quatro contos tradicionais. O primeiro livro, Cinder, é uma transformação da história da Cinderela. Neste livro, seguimos a vida de Cinder, uma mecânica extremamente talentosa, mas que tem uma vida complicada por causa da madrasta e de uma das filhas dela. Além disso, é uma cyborg, ou seja, é humana, mas tem partes mecânicas devido a um acidente na infância. Tudo muda quando o herdeiro da sua nação, o príncipe Kai, lhe pede ajuda para consertar um android e quando a outra meia-irmã é uma das vítimas da doença que afeta o planeta inteiro. Cinder envolve-se em problemas políticos e acaba por ser uma cobaia em experiências focadas na cura da doença mortífera. No meio de tantos conflitos, como irá ela lidar com os seus sentimentos e com o futuro do planeta Terra?



É normal vermos recontos de histórias tradicionais na Fantasia, mas nunca tinha lido dentro do género da Ficção Científica. Portanto, gostei muito desta nova e fantástica experiência. A essência da história original está presente, mas com reviravoltas muito boas e intrigantes.


A ação passa-se num futuro em que já houve até uma Quarta Guerra Mundial, ou seja, o planeta Terra tem tecnologias mais avançadas e há vida na Lua, por exemplo, com regime monárquico e pessoas que podem controlar as mentes daqueles que não vivem lá. Além disso, os continentes estão divididos de formas diferentes e as monarquias são extremamente relevantes. É assim que a história da Cinderela é renovada, acrescentando-se cyborgs, androids, naves espaciais e personagens mais cativantes e não tão superficiais como no conto. É um enredo que consegue ser original, sem esquecer a sua verdadeira base. A coleção também baseia-se no anime Sailor Moon, já que, ao longo da coleção iremos conhecer um grupo de jovens que não são totalmente humanos e que querem salvar o planeta Terra e têm laços com a Lua, havendo, ainda, um habitante da Lua que é mesmo importante na história. Como alguém que cresceu a ver este anime, adorei a familiaridade que senti neste livro. Este livro é, portanto, uma lufada de ar fresco.



Luna | The Lunar Chronicles by Marissa Meyer
Luna, o reino de Levana, a vilã da coleção.


A escrita foi, praticamente, a única coisa que me atrapalhou ao longo da leitura devido aos termos técnicos. Li em inglês e, claro, houve alguns termos tecnológicos que eu não entendi. Contudo, isso não me deixou apreensiva quanto ao talento da autora. Ignorando esses termos, a sua escrita prende o leitor à história e, por isso, não demorei muito tempo a ler este livro. De facto, é o tipo de escrita ideal para este enredo envolvente e surpreendente.


As personagens são variadas e gosto tanto das personagens do lado do bem, como as do lado do mal. As do lado do mal são muito interessantes, misteriosas e astutas. Até a madrasta é interessante, apesar de não gostar nada das atitudes dela. Ainda assim, como uma espécie de vilã, aprecio esta figura. A personagem principal, Cinder, é uma das minhas favoritas, devido à sua força de vontade e por ser uma figura que representa as mulheres que lutam contra o machismo. O seu sarcasmo é um dos seus pontos fortes, bem como a sua sensibilidade e a maneira como se vê, na medida em que, apesar de reconhecer os seus defeitos, de pensar neles e de duvidar-se de si própria, ela não desiste e luta pela justiça. Em relação a Kai, ainda bem que ele não é vazio como o príncipe da história original. É um jovem que, tal como Cinder, reconhece os seus defeitos, mas é forte e não desiste. É também cativante devido ao seu sarcasmo. Uma outra coisa interessante neste livro é a diversidade. Como se passa em Eastern Commonwealth, um reimo que se situa no continente asiático, temos personagens chinesas, até porque esse reino situa-se na China do mundo real. É muito bom ver diversidade na literatura, principalmente quando há personagens com personalidades tão diferentes e fortes. Por fim, temos a rainha Levana, a monarca de Luna, que quer, por força, casar com o príncipe Kai e que usa o poder mental para controlar qualquer um. É, de certa forma, a típica vilã em busca de poder e que adora controlar os mais fracos, mas há uma vulnerabilidade que, certamente, será exposta ao longo da coleção. Há, portanto, personagens para todos os gostos.



-The Lunar Chronicles- : Photo
Tal como no conto, aqui, Cinder também perde o sapato. Bem, mais propriamente o seu pé mecânico.


Concluindo, Cinder é uma primeira garfada de uma coleção que promete ser saborosa. Com um enredo original que mostra a destreza de Marissa Meyer em pegar em contos tradicionais e transformá-las e com personagens que parecem ser reais e que são inspiradoras, este primeiro livro promete conquistar leitores que adoram as típicas histórias de encantar, mas que procuram por inovação.


Classificação: 4.5/ 5 estrelas.





Estive ausente durante uns meses, mas isso não significa que a minha carteira tenha estado a descansar! Ainda em agosto, recebi duas encomendas (ambas feitas no Book Depository):




Winter é o quarto e último volume da coleção The Lunar Chronicles (título da edição portuguesa: Crónicas Lunares), de Marissa Meyer. Tal como nos outros livros (que eu ainda não li), Winter é uma adaptação de um dos contos de fadas mais admirados no mundo inteiro, "Branca de Neve e os Sete Anões", tendo como cenário o espaço e a alta tecnologia. Ainda não foi editado em Portugal.



Fiquei muito contente quando soube que iriam escrever uma peça de teatro sobre o futuro de Harry Potter e do seu universo mágico! A peça Harry Potter and the Cursed Child foi escrita por John Tiffany e Jack Thorne, sob orientação de J.K. Rowling e passa-se 20 anos depois da batalha que garantiu a derrota de Voldemort. Já foi traduzida pela Editorial Presença e custa 19.90 €.


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Em setembro, comprei um romance de Valter Hugo Mãe, O filho de mil homens. Neste livro, temos como personagem principal Crisóstomo, um pescador que, por se sentir solitário, decide inventar uma família, "como se o amor fosse sobretudo a vontade de amar":





Há três semanas atrás, praticamente antes de a Academia Sueca ter anunciado o vencedor do Prémio Nobel da Literatura de 2016, comecei a fazer pesquisas sobre autores que, ao longo dos anos, são os favoritos do público geral e da imprensa internacional. Um deles era (e ainda é) o escritor japonês Haruki Murakami. Fiz uma outra pesquisa sobre o autor e a sua obra e decidi comprar Kafka à beira-mar, um dos seus romances mais adorados. São narradas as aventuras e desventuras de um jovem de 15 anos e de um idoso que tem dedicado grande parte da sua vida a procurar gatos desaparecidos. É um livro muito conhecido por apresentar uma história de demanda e por explorar tabus.







Na semana passada, decidi comprar o romance mais recente de Valter Hugo Mãe. Homens imprudentemente poéticos tem deliciado a alma literária de muitos portugueses e tem como cenário "um Japão antigo", onde um artesão e um oleiro "vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente".







Ontem, dia 22 de novembro, fui ao hipermercado Continente e reparei numa zona com livros que tinham 50% de desconto. Um deles era Dias de Sangue e Glória, a continuação d' A Quimera de Praga, de Laini Taylor.






E vocês? Têm comprado muitos livros? 😄